Vale indicar aqui uma excelente dica que a minha amiga Tati Martins, do blog "Mulher é desdobrável. Eu sou." me mandou ontem: a entrevista que a Tatiana Nahas, do blog Ciência na Mídia, concedeu para o Alô, Professor da Ciência Hoje Online.
Deixo destacados alguns pontos muito importantes para professores, principalmente os de Ciências, e que coincidem com o que tenho pensado, sobre educação científica e uso das TICs, ao longo dos últimos anos. Em negrito, os meus destaques dos destaques!
Como você leva a sua experiência na rede e com novas tecnologias para os seus alunos?
Eu não faço nenhuma separação que fique nítida entre o que está relacionado a novas tecnologias e o que não está. Simplesmente ora estamos usando um livro, ora os alunos estão criando objetos de aprendizagem relacionados a determinado conteúdo, como jogos.
Um exemplo do que quero dizer: outro dia estávamos em uma aula de microscopia no laboratório de biologia. Os alunos viram o microscópio, aprenderam a manipulá-lo, conheceram um pouco sobre a história dos estudos citológicos caminhando em paralelo com a história do desenvolvimento dos equipamentos ópticos etc. Em dado ponto da aula, tinham que resolver o problema de como estimar o tamanho das células que observavam. Contas feitas, discussão encaminhada, passamos para a projeção de uma ferramenta da internet fantástica para compreensão de escala. É uma ferramenta desenvolvida para a internet por um grupo da Universidade de Utah e da qual tomei conhecimento via o blogue Brontossauros em meu jardim, do biólogo Carlos Hotta. Foi um complemento perfeito para a aula. Os alunos não só adoraram, como tiveram a possibilidade de visualizar diferentes células, objetos, estruturas e átomos de forma comparativa, interativa, divertida e extremamente clara. Por melhor que fosse a aula, não teria conseguido o alcance que essa ferramenta propiciou. Mas essa ferramenta tornou-se parte da aula, então a aula foi boa e interessante. Ou seja, não estou competindo com esses recursos e nem usando-os como muleta. Esses recursos são exatamente o que o nome diz: recursos. E facilitam tanto…
Você acha que é necessário mudar muita coisa no ensino de ciências, especificamente?
Tenho a impressão de que os problemas que temos no ensino de ciências hoje ainda são muito similares aos problemas que tínhamos na época em que eu era aluna de ginásio, hoje chamado ensino fundamental. Ou seja, estamos caminhando muito lentamente nos últimos 15, 20 anos. Isso para não dizer que muitas vezes estamos andando em círculos... É claro que é difícil generalizar em termos de país, porque há muitas diferenças.
Mas procurando uma média nesse panorama, eu diria que há duas principais falhas no nosso ensino de ciências. Uma reside no quase completo esquecimento da história da ciência na sala de aula, o que faz com que os alunos desenvolvam a noção de que ideias e teorias surgem repentinamente e prontas na mente dos cientistas. Agora estou tendo a oportunidade de trabalhar no ensino médio de biologia junto com um professor que é um raro exemplo nesse quesito e posso perceber empiricamente a diferença que faz para compreensão dos alunos sobre os conceitos. É fantástico!
Outra falha que vejo está no fato de que pouco se exercita o método científico ao ensinar ciências. Não dá para esperar que o aluno entenda o modus operandi da ciência sem mostrar o método científico e o processo de pesquisa, incluindo os percalços inerentes a uma investigação científica. Sem mostrar a construção coletiva da ciência. Sem mostrar que a controvérsia faz parte do processo de construção do conhecimento científico e que há muito desenvolvimento na ciência a partir dessas controvérsias. Caso contrário, teremos alunos que farão coro com a média da população que se queixa, ao ouvir notícias de jornal, que os cientistas não se resolvem e uma hora dizem que manteiga faz bem e outra hora dizem que manteiga faz mal. Ou seja, já temos alguns meios de divulgação que não compreendem o funcionamento da ciência e a divulgam de maneira equivocada. Vamos também formar leitores acríticos?
Qual é o conselho para o professor de hoje?
Não creio que tenha experiência suficiente para oferecer conselhos. Partindo de observações ao longo da pouca prática que tenho do cotidiano de sala de aula, por enquanto a única coisa que diria é para que os professores se esforçassem em introduzir mais as linguagens midiáticas na sala de aula. Seja das consideradas mídias tradicionais, como jornais, revistas e filmes, seja das chamadas novas mídias, como os blogues. Os blogues são um caso nítido de preconceito por parte dos professores. Mais que considerá-los ‘diários de menininhas’, muitos professores não os consideram confiáveis. Mas eu sou da opinião de que isso faz parte também da educação: auxiliar seus alunos no processo de edição do mundo, de aprender a identificar o que é confiável ou não, correto ou não, útil ou não para aquele determinado objetivo… E não simplesmente riscar blogues da lista de possibilidades de pesquisa.
Aproveito o post para agradecer a indicação que a Tatiana fez do meu blog. 





















Me disseram que...