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“Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho, as pessoas se libertam em comunhão.”
 Paulo Freire

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Alfabetização Científica e Ensino de Ciências

 

 

Tenho aqui no blog a tag Alfabetização Científica, mas ainda não havia parado para refletir ou para estudar como ela poderia acontecer. Coloquei-a mais para encontrar facilmente os materiais e recursos que eu poderia sugerir ao ajudar a elaborar projetos e atividades.

Nesses meus últimos dias dedicados a colocar em dia as minhas leituras, encontrei uma ótima discussão proposta, por Myriam Krasilchik e Martha Marandino, no livro "Ensino de Ciências e Cidadania", sobre a questão da dificulade de se delinear os limites entre a alfabetização científica e o ensino de ciências;

"Temos então dois focos de produção de conhecimento e de ação – o ensino e a divulgação – com identidades próprias, sendo estruturadas por influência tanto da comunidade acadêmica nos diversos domínios e das humanidades, quanto pelos demais grupos profissionais, como professores, jornalistas museólogos e divulgadores em geral. Se por um lado é possível identificar particularidades nesses dois focos que envolvem a alfabetização científica, é também possível perceber finalidades semalhantes, como a promoção do acesso ao conhecimento científico de forma a poder opinar sobre eles e utilizá-los para a resolução de problemas individuais e comunitários."

 As autoras citam o BSCS (Biological Sciences Curriculum Study), de 1993, que indica que a alfabetização científica acontece em quatro estágios:

Nominal: o estudante reconhece termos específicos do vocabulário científico, como átomo, célula, isótopo e gene.

Funcional: o estudante define os termos científicos sem compreender plenamente seu significado.

Estrutural: o estudante compreende as ideias básicas que estruturam o atual conhecimento científico.

Multidimensional: o estudante tem uma compreensão integrada do significado dos conceitos aprendidos, formando um amplo quadro que envolve tambem conexões e vínculos com outras disciplinas.

(…) Admite-se que o processo de alfabetização científica passa por esses estágios nos cursos escolares e, nesse sentido, é comum atingir a fase de alfabetização funcional de um conceito, mas muito raramente a fase multidimensional. (…)  Embora seja necessário, adquirir um vocabulário básico não é o bastante. É essencial levar o estudante a buscar lógica e racionalmente, e também criticamente, os dados empíricos que devem ser de domínio público. A formação do aprendiz deve levá-lo a compreender que o conhecimento científico é cumulativo e historicamente arquitetado, tendo sempre um caráter tentativo. Comporta, por isso, rupturas e está implicado nas relações sociais, políticas, econômicas e ideológicas das sociedades em que é produzido.

Como será que as escolas estão trabalhando a alfabetização científica? Como chegar ao estágio Multidimensional? Que conhecimentos você entende que seus alunos devem dominar para serem considerados cientificamente alfabetizados?

Penso que tentar responder a essas questões, lançadas no livro como propostas de ação reflexiva, pode ser um bom ponto de partida para professores nesse início de ano letivo. Ou não?

 

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6 comentários para Alfabetização Científica e Ensino de Ciências

  • Exato Miriam
    Vivemos em uma sociedade complexa, que se renova a cada dia e, contraditoriamente, algumas escolas continuam reproduzindo uma educação disciplinar, sem efetivas relações entre disciplinas, entre conceitos, tampouco entre as diferentes eferas da sociedade e suas problemáticas. De forma semelhante, a formação de professores também contribui para este quadro: currículos que não se renovam, disciplinas específicas com professores sem formação pedagógica, disciplinas (também específicas, em vez de ser um continuum) pedagógicas sem articulacão com a “formação dura”, professores em formação que não são instigados ao diálogo e à formação constante.
    Para que ensinamos Ciências e Biologia? para seres que estão acima dos problemas da humanidade? não. Ensinamos estas “disciplinas” nas escolas para que nossos jovens possam atuar crítica e fundamentadamente na sociedade, que possam fazê-la mais coerente e mais justa. Para tanto, precisamos de um ensino que esteja atento para as relações e inovações das ciências e tecnologias, que promova articulações, que considere o aluno como um ser atuante na sociedade, que considere os saberes cotidianos dos alunos para que criar significados aos conhecimentos científicos.

    Se não for assim, para que ensinar Ciências?

  • tomei a liberdade de republicar meu comentário lá no Reflexões de Professores, indicando a leitura de seu blog…

    Reflexões de Professores – http://reflexaodeprofessores.blogspot.com/

  • Oi Adriane,
    Concordo com você sobre a formação de professores. Senti muita falta dessa formação pedagógica quando comecei a dar aulas. Minha sorte foi encontrar orientadoras e coordenadoras pedagógicas que me ajudaram a buscar embasamento!
    Quanto ao para que ensinamos ciências e biologia, usei essa parte para escrever um novo post! :-)
    abço

  • [...] Miriam Salles " Alfabetização Científica e Ensino de Ciências [...]

  • Adriana

    Olá Miriam e Adriane,este pequeno comentário me ajudou muito,pois tenho uma prova referente a alfabetização científica,agora me sinto mais segura para faze la.Obrigada.

  • viviane

    Boa noite! Estava pesquisando no google sobre alfabetização cientifica e “descobri” o blog. Gostei muito das informações e me deu várias idéias. Gostaria que se possivel me enviar o material que vc tiver sobre o tema pois estou precisando me informar para escrever meu pré- projeto de mestrado. Desde já, muito obrigada e parabéns pelo blog. Adorei!!!

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