
Tenho aqui no blog a tag Alfabetização Científica, mas ainda não havia parado para refletir ou para estudar como ela poderia acontecer. Coloquei-a mais para encontrar facilmente os materiais e recursos que eu poderia sugerir ao ajudar a elaborar projetos e atividades.
Nesses meus últimos dias dedicados a colocar em dia as minhas leituras, encontrei uma ótima discussão proposta, por Myriam Krasilchik e Martha Marandino, no livro "Ensino de Ciências e Cidadania", sobre a questão da dificulade de se delinear os limites entre a alfabetização científica e o ensino de ciências;
"Temos então dois focos de produção de conhecimento e de ação – o ensino e a divulgação – com identidades próprias, sendo estruturadas por influência tanto da comunidade acadêmica nos diversos domínios e das humanidades, quanto pelos demais grupos profissionais, como professores, jornalistas museólogos e divulgadores em geral. Se por um lado é possível identificar particularidades nesses dois focos que envolvem a alfabetização científica, é também possível perceber finalidades semalhantes, como a promoção do acesso ao conhecimento científico de forma a poder opinar sobre eles e utilizá-los para a resolução de problemas individuais e comunitários."
As autoras citam o BSCS (Biological Sciences Curriculum Study), de 1993, que indica que a alfabetização científica acontece em quatro estágios:
Nominal: o estudante reconhece termos específicos do vocabulário científico, como átomo, célula, isótopo e gene.
Funcional: o estudante define os termos científicos sem compreender plenamente seu significado.
Estrutural: o estudante compreende as ideias básicas que estruturam o atual conhecimento científico.
Multidimensional: o estudante tem uma compreensão integrada do significado dos conceitos aprendidos, formando um amplo quadro que envolve tambem conexões e vínculos com outras disciplinas.
(…) Admite-se que o processo de alfabetização científica passa por esses estágios nos cursos escolares e, nesse sentido, é comum atingir a fase de alfabetização funcional de um conceito, mas muito raramente a fase multidimensional. (…) Embora seja necessário, adquirir um vocabulário básico não é o bastante. É essencial levar o estudante a buscar lógica e racionalmente, e também criticamente, os dados empíricos que devem ser de domínio público. A formação do aprendiz deve levá-lo a compreender que o conhecimento científico é cumulativo e historicamente arquitetado, tendo sempre um caráter tentativo. Comporta, por isso, rupturas e está implicado nas relações sociais, políticas, econômicas e ideológicas das sociedades em que é produzido.
Como será que as escolas estão trabalhando a alfabetização científica? Como chegar ao estágio Multidimensional? Que conhecimentos você entende que seus alunos devem dominar para serem considerados cientificamente alfabetizados?
Penso que tentar responder a essas questões, lançadas no livro como propostas de ação reflexiva, pode ser um bom ponto de partida para professores nesse início de ano letivo. Ou não?








Exato Miriam
Vivemos em uma sociedade complexa, que se renova a cada dia e, contraditoriamente, algumas escolas continuam reproduzindo uma educação disciplinar, sem efetivas relações entre disciplinas, entre conceitos, tampouco entre as diferentes eferas da sociedade e suas problemáticas. De forma semelhante, a formação de professores também contribui para este quadro: currículos que não se renovam, disciplinas específicas com professores sem formação pedagógica, disciplinas (também específicas, em vez de ser um continuum) pedagógicas sem articulacão com a “formação dura”, professores em formação que não são instigados ao diálogo e à formação constante.
Para que ensinamos Ciências e Biologia? para seres que estão acima dos problemas da humanidade? não. Ensinamos estas “disciplinas” nas escolas para que nossos jovens possam atuar crítica e fundamentadamente na sociedade, que possam fazê-la mais coerente e mais justa. Para tanto, precisamos de um ensino que esteja atento para as relações e inovações das ciências e tecnologias, que promova articulações, que considere o aluno como um ser atuante na sociedade, que considere os saberes cotidianos dos alunos para que criar significados aos conhecimentos científicos.
Se não for assim, para que ensinar Ciências?
tomei a liberdade de republicar meu comentário lá no Reflexões de Professores, indicando a leitura de seu blog…
Reflexões de Professores – http://reflexaodeprofessores.blogspot.com/
Oi Adriane,
Concordo com você sobre a formação de professores. Senti muita falta dessa formação pedagógica quando comecei a dar aulas. Minha sorte foi encontrar orientadoras e coordenadoras pedagógicas que me ajudaram a buscar embasamento!
Quanto ao para que ensinamos ciências e biologia, usei essa parte para escrever um novo post!
abço
[...] Miriam Salles " Alfabetização Científica e Ensino de Ciências [...]
Olá Miriam e Adriane,este pequeno comentário me ajudou muito,pois tenho uma prova referente a alfabetização científica,agora me sinto mais segura para faze la.Obrigada.
Boa noite! Estava pesquisando no google sobre alfabetização cientifica e “descobri” o blog. Gostei muito das informações e me deu várias idéias. Gostaria que se possivel me enviar o material que vc tiver sobre o tema pois estou precisando me informar para escrever meu pré- projeto de mestrado. Desde já, muito obrigada e parabéns pelo blog. Adorei!!!