Lendo o post Imigrantes e nativos digitais blog Tecnologias Digitais e Educação, me lembrei de uma série de posts que acompanhei, em blogs de educadores espanhós, sobre essa classificação proposta por Marc Prensky. O resumo da tese de Marc Prensky é a seguinte , segundo Ismael Peña-López no blog Genís Roca:
"As gerações nascidas nas últimas décadas cresceram com a internet, videogames, Cds, vídeos, celulares, etc. Estas tecnologias já estavam aqui quando eles nasceram e por eles foram incorporadas com naturalidade, da mesma forma como o fizeram as gerações anteriores com os carros e TVs. Este fato implica, não somente que esta geração tenha total familiaridade com as tecnologias digitais, “daí a denominação nativos digitais” como também, baseando-se em estudos das neurociências, sua forma de pensar, e mesmo a estrutura física de seu cérebro, é diferente das dos imigrantes digitais, que aprenderam e se formaram num mundo analógico e para os quais o mundo digital supõe um processo de imersão nas tecnologias que, no melhor dos casos, lhes parecem estranhas."
Essas diferentes formas de pensar e interagir no mundo seria a causa de muitos dos problemas que ocorrem quando nativos e imigrantes se encontram no mesmo espaço: a sala de aula. Segundo Adolfo Estalella não há nada que prove essas diferenças e, pior ainda, nos leva a cometer equívocos. Para ele o mais preocupante é que esse conceito:
"(…) constrói uma brecha que talvez não exista. Uma brecha entre gerações entre as quais não existe tal distância. Mais que reunir, o conceito separa. Se elaboram, usando a idade como critério diferenciador, duas categorias para separar quem muitas vezes desenvolve as mesmas práticas: professores e alunos que blogueiam e se lêem mutuamente, wikipedistas entre os 16 e os 96 anos, pais e filhos que compartilham fotos na Internet… A idade é realmente um elemento fundamental no tipo de prática digital?"
Ainda segundo Adolfo Estalella, se utiliza um determinismo tecnológico cruel e não se leva em conta o tipo de tecnologia usada (Internet, celular, videogame, etc), o contexto desse uso (escola, trabalho, jogos, etc), os objetivos para sua utilização (diversão, trabalho, estudo, etc). Concordo com Anibal de la Torre sobre o que ele chama de "complexo de Marc Prensky":
"o uso não racional, e inclusive falso em alguns casos, deste conceito está produzindo nos professores um sentimento de culpa ou complexo tecnológico que os faz ver os alunos como seres superiores na hora usar os novos procedimentos tecnológicos. Apesar de não se poder negar que os adolescentes de hoje em dia possuem uma grande facilidade no acceso às TICs, penso que os docentes têm muitíssimo a ensinar-lhes, neste campo também, por mais que nós não acreditemos. (…) Porém não nos enganemos, os adolescentes que escrevem blogs ou produzem qualquer tipo de conteúdos na rede são uma autêntica minoria; os que eu conheço, que não são poucos, não chegam além de manejar, de maneira magistral, um dedo polegar enviando SMS ou os dois jogando videogame, ou de utilizar o mensegger com bastante desenvoltura. Sua necessidade é comunicar-se com seu entorno e as destrezas tecnológicas os tem feito fixar-se no que gostam e necessitam."
Vejo isso acontecer com meus sobrinhos e sobrinhas adolescentes. Eles às vezes brincam me chamando de "tia-hacker" porque sabem que uma de minhas tarefas diárias é entrar em suas páginas de recados do Orkut, ou porque lhes mando dicas de coisas legais que encontrei na rede. E falando muito sério, muitas vezes me sinto, muito mais nativa digital do que alguns deles. O mesmo acontecia em minhas conversas com alunos adolescentes.
Juan Freire, no post "De los nativos a las brechas digitales: más alláde los mitos de la edad y el acceso", nos alerta que a discussão é importante porque está relacionada com as estratégias políticas e educacionais, com a integração da Internet como motor social e econômico, com a promoção de atitudes criativas e inovadoras. Ele propõe a utilização de uma outra tipologia, proposta por Wesley Fryer, que caracteriza quatro tipos de usuários:
- Refugiados: ignoram a tecnologia ou a negam, agindo como se ela não existisse,
- Voyeurs: conhecem a existência da tecnologia, mas não as utilizam,
- Imigrantes: participam nas redes digitais, porém de modo limitado,
- Nativos: adotam de modo intenso a tecnologia em sua vida diária.

Para Juan Freire:
"Poderíamos dizer que enquanto o voyeur segue vivendo em um mundo analógico, o imigrante mantem duas esferas de atividade (analógica e digital) claramente diferenciadas, o nativo atua em uma realidade híbrida na qual já não é possível discriminar os âmbitos analógico e digital."
Em tempo, as traduções feitas aqui são, como sempre, livres. Se você quiser ler mais sobre essa conversa, acesse os posts indicados e siga os links propostos pelos autores. Há muito o que se pensar e discutir!



















Miriam
Gosto deste tema – você sabe né? Li com atenção o post e pensei em muitas coisas… Vamos lá:
1°) Ainda estou pesquisando os resultados dos estudos das neurociências que demonstram as diferenças entre nativos e imigrantes. Mas tenho certeza que há diferenças entre os dois grupos.
2°) Como você leu no blog da Érika, não sei se esta classificação é adequada ou não. Eu nem me acho nela!!! Mas acho que mais do que classificar, ela traz a oportunidade da discussão dos conceitos que a envolve. Concordo quando vc afirma no post que “Essas diferentes formas de pensar e interagir no mundo seriam a causa de muitos dos problemas que ocorrem quando nativos e imigrantes se encontram no mesmo espaço: a sala de aula.†Mas não por uma questão de idade, mas pelo tipo de relação que professores e alunos estabelecem com as TICs. Nós sabemos que muitos professores simplesmente negam a existência dos recursos tecnológicos! Assim como alguns fazem um trabalho extraordinário com elas! No meu ponto de vista, os maiores problemas na sala de aula são de ‘ensinagem’, porque não dá para continuar ‘ensinando’ do mesmo jeito que a 30 anos atrás!!! E não dá porque nossos jovens são diferentes, têm outros interesses e vivem em outra realidade.
3°) Quando vc cita seus sobrinhos, eu posso dizer que vejo a mesma coisa acontecendo. Agora, imagine o quanto nós professores poderÃamos potencializar a aprendizagem trabalhando com os recursos tecnológicos que conhecemos e explorando? Indo além do Orkut e de SMS? Isso é mais do que ser imigrante ou nativo, é ser uma pessoa do seu tempo! E seria ótimo se todos na educação conseguissem se tornar nativos no mundo das TICs!
Grandes abraços
Sintian
Oi SÃntian!
Obrigada pelo comentário! Eu tenho pensado e procurado me fundamentar sobre o tema e suas colocações são, como sempre, importantes!
Concordo que o fundamental é a relação que as pessoas estabelecem com as TICs, independente da idade delas… e por isso acho complicado que, inclusive no UCA, se use essa classificação entre dois grupos apenas e baseados na idade. Prefiro essa tipologia de Wesley Fryer, que se prende na relação do sujeito com a tecnologia.
Um beijo
Miriam
Olá Miriam,
Que post maravilhoso!!! Com certeza vai para minhas referências.
Seu blog é 1000. Se vc me permite irei colocá-lo no blogroll do web para educadores. Pode ser?
Forte abraço
Eri
Olá Miriam,
Que post maravilhoso! Com certeza irá para minhas referências.
Seu blog é 1000!!! irei colocá-lo no blogroll do web para educadores.
Forte abraço
Eri
Olá Eri!
Obrigada pela visita e principalmente por deixado esse comentário!
Vai ser ótimo ter o meu blog no seu blogroll!
Aliás, sou uma de suas leitoras: seu blog está no meu Google Reader!
Abraço
Miriam
Olá Miriam
Você se tornou referência na questão tecnlógica. Sempre me deparo com novidades muito úteis a minha pesquisa. Seus artigos são excelentes.
Abraços
Alberto Amorim
Olá Miriam, gostei muito das colocações, aqui, sobre nativos e imigrantes digitais. Também ando inquieta com estes conceitos que mais classificam, rotulam sem levar em conta os fundamentos necesssários para lidar com o espaço cibernético: o ir além da instrumentalização do espaço cibernético, visando a emancipação social, abçs Profa Therezinha Conde.