"Ler significa reler e compreender, interpretar. Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam. Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é sua visão de mundo. Isso faz da leitura sempre uma releitura."
Leonardo Boff
A Suzana Gutierrez foi a primeira blogueira que conheci. Além de aprender muito em seu blog, devo a ela alguns espaços que consegui na escola em que trabalhava. Mas essa é uma história que já contei antes… O fato é que hoje à tarde estava pensando sobre dois excelentes posts que a Suzana escreveu em seu blog. Pensei especialmente nesse trecho do primeiro desses posts, o "Blogs, dez anos e….":
"Que se danem também os professores que tentam domesticar o blog como "ferramenta de ensino", que usam os blogs para postar as mesmas tarefas que escreviam no quadro de giz."
Difícil discordar dela quanto às tentativas de domesticação. Tem muita gente bacana desenvolvendo belos projetos com blogs, mas no geral o que se encontra são blogs cujos conteúdos caberiam perfeitamente em um site "normal". Por que será que eles estão no formato de blog? Talvez pela facilidade de publicação, afinal não é preciso conhecer nada de html, de construção de um site. Há diversos espaços gratuitos, os modelos estão prontos, há milhares de penduricalhos, gifs animados para deixar tudo enfeitadinho.
Mas eu não quero que os professores se danem! Sei lá se esse blog pode ser considerado um blog de verdade, mas será que eu estou fazendo a minha parte?
Um dos exemplos que teria: outro dia encontrei um blog com materiais bem bacanas, mas estava mais na forma de um caderno que de um blog. Me explico: dez textos sobre assuntos completamente diferentes em um mesmo post. Pensei, "ele(a) não entendeu o que é um blog! Isso está parecendo o meu caderno de rascunho da escola!" ( eu colocava a data e fazia as anotações de todas as aulas do dia. E em casa, "passava a limpo" no caderno da matéria – era o meu jeito de estudar!
. E fiquei nisso, não deixei um comentário, não escrevi um email dando um toque. Um pouco pelo receio de não ser compreendida, da pessoa se ofender, ou por aquela velha prática corporativista de professor nâo expor o colega.
O segundo post que ficou na minha cabeça foi o "Edu blogs: reflexão ou blá blá blá psitacídeo?". Dele, especialmente, esses trechos:
São blogs que pouco dizem do seu dono, pois o relato pessoal, a mescla do pessoal com o profissional não ocorre. São páginas que não motivam o diálogo e, um acesso aos comentários, mostra que as visitas não interagem com o conteúdo. São retribuições ou quase convites.
Não penso que a mescla do pessoal com o profissional vá motivar o diálogo. O que sei da vida pessoal do professor Jarbas, da Chiti, do Fernando, ou da Fátima? Pouco ou quase nada. Mas converso com eles, troco idéias, aprendo, colaboro!
Distribuir o conteúdo de seus blogs por rss/atom e usar um agregador de conteúdo que possibilite socializar, recomendar leituras e, deste modo, incentivar a formação de redes sociais.
Aqui não há do que discordar! Não existe nada mais irritante do que receber, em listas de discussão, avisos do tipo: "publiquei um post sobre "abrobrinhas" no meu blog…." E sempre alguèm escreve dando as dicas de rss, talvez na tentativa de acabar com mensagens desse tipo. Mas hoje fiquei pensando: será que adianta a gente ficar enviando só a dica, escrever que existem agregadores como o Google Reader? Será que basta descobrir onde está (ou deve ficar) o apontador para o rss? Será que é fácil, para quem está começando a usar os blogs, saber como se adicionam os endereços? Como é fácil ler diversos posts a partir de uma página? Será que só o vídeo do Lee LeFever vai ajudar?
Pelo visto, a resposta é não para todas as perguntas. Muitas mensagens circularam sobre o assunto e as propagandas continuam! Resolvi que, dessa vez, vou fazer a minha parte nessa história. Fiz um video-tutorial "meia boca" mostrando como se insere os endereços dos blogs no Google Reader. Vou colocar o vídeo no próximo post. E me comprometo a fazer um outro vídeo, amanhã, mostrando como leio dos blogs que acompanho.








Olá Miriam!
Concordo com você. Não é fácil assimilar tudo e achei muito bom o teu tutorial. Vou divulgar lá no meu blog. Eu continuo com algumas dúvidas em relação ao pessoal/profissional, mas vamos indo, entre erros e acertos. Ainda estou meio zonza com o Gogle Reader. O bloglines é bem mais fácil. Vou ler teu tutorial. OK? BJ
Olá Marli!
Quando comecei esse blog, no inÃcio de 2006, só queria ter um espaço onde pudesse ir guardando o descobria de recursos e ao mesmo tempo continuar ajudando algumas de minhas amigas, continuar o que fazia presencialmente quando trabalhávamos juntas. Com o tempo, fui conhecendo outras pessoas que mantinham blogs e minha rede de contatos nesse mundo foi crescendo. Esse é um espaço, onde partilho com quem aparece, o que aprendo por ai.
Escrevi, em alguns poucos momentos, um ou outra coisa estritamente pessoal. Mas não vejo que interesse teria, para quem chega aqui, normalmente professores, ler algo pessoal. Não consigo achar uma razão lógica para tanto.
Ao contrário, cada vez mais penso que, se o fizesse, estaria dando uma força para os crÃticos dos blogs. Seria um bom exemplo de blog como mero diário pessoal.
Vou ser muito sincera com você: quando chego a um post que relata algo pessoal, caio fora rapidinho se não for de um alguém que conheço pessoal ou virtualmente e que quero bem, ou se não estiver ligado à educação ou a uma viagem. Talvez eu esteja errada. Não sou mestre ou doutora em nada. O que sei é resultado de 20 e tanto anos da minha prática e de estudos que fui fazendo, às vezes com a orientação de coordenadoras maravilhosas com que trabalhei, outras por minha conta e risco, muitas vezes movida pela curiosidade, que nunca perdi.
Me permito colocar nesse espaço o que eu acho que vai ser útil para algum professor, que pode ajudá-lo na sua aula. Já passei tempo demais na minha vida seguindo os padrões, as regras que sei lá de onde vinham.
O pessoal fica, no mundo dos blogs, restrito à nossa querida lista e blog dos Amigos nada ocultos.
Um beijo
Miriam
Grande Miriam!
Inteligente,experiente,cuidadosa, generosa.
Confesso que ando confusa quanto ao pessoal/profissional. Há tempos que descobri que até os comentários que fazemos em blogs ficam registrados na web. É só digitar nosso nome e colocar na pesquisa. Já me arrependi de muita coisa que escrevi e procuro tomar cuidado.
Faz dois dias que não consigo aparecer por aqui. Agradeço o tutorial, ainda vou ver e tentar para aprender, mas não sei se, depois disso, terei tempo para acompanhar. Não tenho tempo ou chance nem para postar!
Abraços.
Oi Miriam,
Ótima análise. Uma providência necessária par quem queira blogar é saber o que são blogs. Caso contrário, o resultado pode ser o de uma página Web sem sal e sem tempero, ou um diário para distribuir tarefas para os alunos, ou uma outra chateação qualquer.
Uma tendência comum entre os educadores é a de “domesticar” ferramentas de comunicação. E as tais ferramentas,uma vez domesticadas, deixam de ser comunicativas. Engraçado observar que a Suzana usa um termo que já usei várias vezes num sentido bastante parecido. Isso revela sentimentos comuns que acontecem em certas comunidades de interesse.
Concordo que blogs são instrumentos de comunicação que precisam ter toque pessoal. Mas acontece que esse toque varia bastante de pessoa para pessoa.E você tem razão: não é a pessoalização que abre portas para o diálogo; o essencial no caso é o convite à conversa. E o convite à conversa exige diversas condições. Uma delas, certamente, é qualidade de texto. Outra, linguagem clara. E há outras mais… Uma coisa que foi muito comum nos inÃcios do blogar era a reprodução de textos interessantes(dos outros). Só leio coisas assim por obrigação profissional. Caso contrário, catalogo-as entre os não favoritas… Com esse último comentário, estou insistindo na idéia de que blogueiros precisam ter “redação própria”, pois não é nada emocionante dialogar com um monte de citações. [Nesse sentido, pessoalização faz sentido]
Mais coincidências. Acabo de escrever um artigo para a Quaderns Digitals. O tÃtulo é ” Tecnologia é Imaginação”. Algumas das idéias que aparecem no dito artigo tem muito a ver com o que você escreveu aqui.
Abraço,Jarbas.