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“Esta é uma das significativas vantagens dos seres humanos - a de se terem tornado capazes de ir mais além de seus condicionantes.”
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EaD em tempos de quarentena

 Sinceramente? Não compartilho toda a alegria e entusiasmo que tenho lido/ visto sobre a grande oportunidade para a Educação à Distância, ou do uso das TICs na Educação, nesses tempos em que aulas foram suspensas por conta da gripe suína.

Concordo muito com o que a @soniabertocchi colocou lá no twitter e resumiu no post H1N1 – Efeitos colaterais para a educação do Lousa Digital. Coloco em negrito os gostaria de comentar aqui:

* Só com uma pandemia para a discussão qualidade X quantidade em educação ir pro JN …conteúdo e currículo, idem… ai ai ai! Novos efeitos colaterais da H1N1:

* expor EAD como solução tapa-buraco! EAD não é remédio pra gripe – Ambientes Virtuais de Aprendizagem, idem!!! Responsabilidade, gente!

* revolta dos conteudistas … afinal, tudo em nome do conteúdo!!! ai ai ai!!!

* colocar em pauta a figura/papel do professor. Mãe, em depoimento ao JN -"faz gosto" que o professor dê aula como "tirador de dúvidas" presencial!

* ressuscitou o hábito de "lavar as mãos" e, agora, provoca 1 discussão sobre currículo e conteúdo programático.Que bom!

* expor o entendimento que algumas escolas têm sobre o uso tecnologia na escola. Estão mandando CD, via correio, transpondo o presencial pro virtual!

* H1N1+dias letivos+conteúdo+escolas particularesXescolas públicas+governo paulistaXgoverno federal=único jeito da educação ir proHorárioNobre!

* H1N1 derruba os 200 dias letivos…quem diria! A gripe e seus efeitos colaterais na educação!

Colocar um professor na frente de uma webcam dando aula como se ela fosse presencial. Mandar motoboy entregar cd com os conteúdos na casa do aluno. Disponibilizar, no site da escola, os exercícios que devem ser resolvidos no caderno. Apenas indicar diversos conteúdos multimídia para "aprofundamento do conhecimento em diversas áreas". É, no mínimo, ingenuidade esperar que isso dê certo e um erro afirmar que isso é EaD. Não acredito que e os alunos, só porque vivem ligados no orkut e msn, farão a parte deles acessando o material e aprendendo. Mas a escola fica tranquila: afinal, o "conteúdo foi dado" e, de quebra, mostrou que é moderna e antenada com os novos tempos. Mas será que os alunos aprenderam? Aposto que, nos casos em que os alunos não acessaram o material ou o desempenho nas provas de sempre não forem lá uma maravilha, a explicação vai ser que a EaD não funciona!

A Lilian, mais otimista do que eu, escreveu no post Quarentena do seu Discurso Citado:

Talvez esse período de recesso represente um marco: as escolas cujos alunos já possuem computadores em casa vão buscar garantir, cada vez mais, que propostas de educação à distância possam ser acionadas em outros casos de emergência.

Eu penso que isso seria o melhor dos mundos: as escolas usarem essa experiência para repensar o uso que fazem das tecnologias. Funcionaria se o uso adequado das TICs e atividades online passassem a fazer parte do cotidiano da escola para que ninguém fosse pego de surpresa, para que tanto alunos quanto professores se sentissem à vontade nos ambientes de educação online. Será que essa reflexão vai ser feita? Ou será que vai ser mais um argumento para quem não quer que as mudanças ocorram de fato?

A Tati levanta um ponto importante no post A internet em tempos de quarentena: as escolas não parariam… do seu "Mulher Desdobrável eu sou"

Isso me fez pensar nas possibilidades de aplicação de tudo o que venho estudando nos últimos tempos e que poderia, caso os professores já fossem reais mediadores, ser usado em benefício dos alunos e dos professores em uma situação como essa.

Claro que há ótimos exemplos de professores que são reais mediadores e que podem servir de inspiração ou apontar caminhos.

Um deles é o da Denise Villardo, que usa a Rede Peabirus, desde 2006, cujo relato está no post Gripe suína + Rede Social + Educação = Inovação, Outro exemplo, que vale visitar e observar, é o do Colégio Estrutural, de Mogi das Cruzes, que está usando, nesses tempos de quarentena. sua rede social no Ning. Aposto que a maior parte dos alunos não têm o problema relatado por uma das minhas sobrinhas. A escola manda por email as atividades que ela deve fazer, mas nem todos os professores divulgaram seus emails para os alunos: "tem coisa nova que eu fico com dúvida e não tem como pedir explicação como é na aula normal".  

 

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6 comentários para EaD em tempos de quarentena

  • Gostei da “aula normal”, Miriam.
    Por enquanto, sou mediadora de leitura.
    Gosto do contato do olho no olho!
    bj
    PS: Repeti aqui o comentário do Reader pq ainda não sei como aquilo funciona.Rsss

  • Miriam,

    Estou com você. O que deve acontecer é um aperfeiçoamento, por parte das escolas e dos professores, do uso das novas tecnologias, indispensáveis, hoje, para uma boa educação.

    Errado são os que pregam o EaD como uma boa educação, o que talvez doesse aos ouvidos de Paulo Freire, se vivo estivesse (me refiro ao EaD como ferramenta principal, e não como complemento da educação presencial.)

    E o pior é que os que defendem o EaD, como bem escreveu você, fazem sua defesa utilizando-se de argumentos “modernos”, de “progresso”. O governador de São Paulo, José Serra, está criando a UNIVESP (Universidade Virtual do Estado de São Paulo), o que tem causado grandes mobilizações estudantis e docentes na USP. O grave é que, a princípio, serão disponibilizados cursos de lincenciatura! Imagine só: professores que foram “formados” à distância!

    Graças às mobilizações, o vestibular para a Universidade Virtual foi adiado em um ano. O ideal seria que nem existisse. Quem sabe isso ainda seja possível…

    Beijo,
    Pedro.

  • Pedrinho,

    Existe um desconhecimento monstruoso sobre o que é Educação a Distância e as suas possibilidades. Talvez por isso exista tanto preconceito contra essa modalidade de educação. Ou algumas das práticas, apontadas nesse post, levem as pessoas a descartar a possibilidade de um curso a distância ser tão bom, ou até melhor, que um presencial. Tudo depende de como o curso acontece, das possibilidades do ambiente online escolhido para o curso, dos recursos disponibilizados para os estudantes, da postura dos professores e dos alunos no curso.

    Eu não sou contra a Educação à Distância. Muito pelo contrário! Mas não sou favorável porque é moderno. Sou favorável, entre outros motivos, porque penso que todos têm o direito a educação. Queria lhe propor, só para começarmos uma conversa, que você fizesse um exercício, que pensasse em alguém como você: um sujeito inteligente, estudioso à beça, mas que morasse numa cidade muito longe da capital e cuja família, diferente da minha ou da sua, não tivesse condições de sustentá-lo em São Paulo ou em uma das cidades onde existem um campi da USP, da Unicamp ou da Unesp (só para ficarmos no nosso Estado, mas se a gente ampliar isso para as regiões Norte e Nordeste…). Por outro lado, pense na oportunidade que teria esse sujeito se a UNIVESP, com cursos de bem estruturados, planejados e colocados em prática por professores bem formados e que entendessem muito de Educação a Distância. É justo que aquele sujeito desista de seu projeto de vida? É justo que estudantes, como você e como eu fui um dia, se mobilizem contra isso? Quais são os reais interesses e motivações para essa tomada de posição? Baseados em quê, ou na fala de quem, vocês tomaram esse posicionamento? Existe muito curso de Ead que, como já escreveu o Wilson Azevedo, chama urubu de meu louro? Sim, do mesmo jeito que existem nessas faculdades presenciais que surgem por ai a todo dia. Penso que vocês foram contra algo que vocês nem conhecem, uma experiência pela qual vocês nunca passaram ou vivenciaram no Ensino Médio ou mesmo no Ensino Fundamental.

    Eu fiz a minha especialização na UnB e o curso foi todo online, Tvemos apenas dois encontros presenciais. Por que escolhi essa modalidade? Primeiro porque trabalhava, dando aulas o dia todo, tinha meus filhos ainda pequenos e não estava nem um pouco disposta a abrir mão do tempo fora do colégio que poderia ser dedicado a eles. Mas eu queria estudar, aprender mais sobre as TIC’s na educação. Um outro motivo foi que eu havia começado a ouvir falar em educação online e, curiosa, queria saber como era ser uma aluna virtual, queria saber como isso poderia ser possível. Não foi fácil. Ser uma aluna online requer uma disciplina enorme. Não era fácil, depois que todos dormiam aqui em casa, ligar o computador para acessar os textos, participar dos fóruns, ler os textos, fazer os trabalhos das diversas disciplinas. Por outro lado, foi muito fácil: eu contava com uma equipe de professores e tutores extremamente competentes. Aprendi muito nas conversas com colegas que viviam em cidades de todas as regiões do Brasil. Não consigo me lembrar de um só questionamento ou dúvida minha que tenha sido ignorada por mais primária que fosse!

    Você fala dos professores formados à distância: que grande diferença isso teria dos cursos de pedagogia de final de semana que a gente sabe que existem, aos montes, em cidades próximas à nossa? Mais uma vez, pelo menos na minha cabeça, a qualidade e seriedade dos cursos e dos professores não são determinados pela modalidade presencial ou a distância!

    De qualquer forma, assumo a responsabilidade. Deveria ter insistido mais no CNDVirtual original que, diga-se de passagem, era o meu projeto de final de curso na especialização lá na UnB Deveria ter “brigado mais”. No meu projeto inicial, o CNDVirtual seria um ambiente de Blended learning para os alunos de Fundamental 2 e Ensino Médio e não apenas um repositório de atividades do laboratório de informática educacional. Nada de um portal padrão como foi a opção da escola, mas um espaço construído para os alunos do Notre Dame, que atendesse às demadas dos professores e alunos. Você, claro, poderia ter esse mesmo posicionamento, concordo. Mas o teria conhecimento de causa, porque havia passado pela experiência de aprender em um ambiente online.

  • Tereza

    Prezada Míriam, tenho contatos esporádicos com você pelo twitter e com mais tempo tenho lido alguns de seus posts.Gostaria de expressar aqui alguns itens importantes para mim e talvez curiosos para outros. Passei em um concurso Universidade Aberta do Brasil, para trabalhar com a EaD, no curso de Licenciatura em Educação Física- UFES.Tenho experiência em ensino superior, médio e básico. tenho experiência e facilidades em tecnologia e aprimorei meus conhecimentos em ferramentas que possam suprir no virtual a “Prática” em conjunto com a base “teórica” do desenvolvimento motor e humano, principalmente porque a base epistemológica segue a que é o mais correto perante o PCN e legislação atual, ou seja não é só o esporte, é a Cultura do Movimento humano, ou seja, dança, expressão corporal, ginástica, montagens coreograficas, as questões de gênero no tocante ao corpo da mulher, saúde e qualidade de vida, tópicos estes baseados no novo currículo da universidade.
    Aprimorei o mais necessário, no meu entender, imagens e vídeos, timeline, slides, mapas conceituais como ferramentas que possam suprir o meu grupo ( pois escolhi um polo/cidade) que contem X numero de alunos, que passaram no vestubulas e cursam atualmente a décima disciplina na sua formação. realmente não somos iguais ao pensar a EaD, falo de nós que lá estamos.Somos 3 no meu grupo, 2 ã distancia/virtual/online e 1 presencial.
    Sinto que o presencial reforça o que pensamos ser presencial, apesar da disciplina e tarefas que devem ser postadas no Modlle, que é a plataforma que se usa.
    Um tutor ã distância se satisfaz com a sua ida aos fóruns de debate e só.
    Não faço alarde sobre meu blog, que reflito ser armazenagem de links e de ferramentas dos assuntos, para facilitar o envio e pesquisa inicial para os diversos pontos de debate.
    Abri um Wiki sozinha, espero que um dia estejam prontos para cooperar comigo. Mas meu blog, por ser meu e eu ser emocional, por vezes não escondo esta faceta humana minha de por vezes expor intimidades.
    Meus alunos são pessoas que já trabalham e não podem se deslocar para ter acesso a um curso superior, concordo com você.
    veiculo não a interdisciplinariedade, mas sim a pluralidade de conhecimentos que um professor deve ter com as crianças para abordar a Cultura inserida na nossa civilização pelo MOVIMENTO e gestos humanos.
    Meus alunos recebem 01 fascículos por disciplina,e a nossa avaliação ocorre em 3 níveis qualitativos /conceitos que podem ser levados a serem transferidos para notas, o quantitativo.
    Sei que por vezes sinto-me desaproveitada se assim se pode falar, na medida em que não dou a metade do que aprendi aos meus alunos, mas aos poucos conseguiremos, e o poder de análise aumentará.
    Meus alunos participaram de congresso com seus primeiros powerpoints, e inicial a elaboração de sua memoria profissional, que será o Webfolio, escrito e virtual.
    O difícil foi que as pessoas que estão a processar a EaD tambem estão aprendendo, e fico impaciente, por não estar presa às burocracias e o tempo passar rápido demais..
    Um abraço, gosto de te ler, segue o wiki baseado na cultura e nas artes:

    http://thbeth.pbworks.com/

  • Miriam,

    Desculpe o enorme atraso para reaparecer por aqui. Ao meu comentário, gostei muito de sua resposta, que me dedicou atenção docente e me levou a boas reflexões.

    De fato, a preocupação que todos devemos ter – e temos, disso não tenho dúvidas – é com a boa educação. Você está correta quando aponta que, presencialmente, existem também inúmeros cursos (inclusive de licenciatura) muito ruins. E está correta, também, ao dizer que todas as pessoas têm direito à educação.

    Tenho de voltar atrás em uma opinião minha (às vezes tomamos a parte pelo todo), quanto ao EaD. Realmente, não há motivo para que se recuse essa ferramenta de antemão, sem que se analise a qualidade de como será utilizada, a abrangência, etc.

    Como disse, tomei a parte pelo todo, pois, a partir de minha real recusa à UNIVESP, recusei toda e qualquer possibilidade de EaD. O embate realizado na USP foi com a Universidade Virtual do Estado de São Paulo.

    O ponto inicial, para que houvesse a recusa, foi a completa ausência de debate, sobre o assunto, com a comunidade universitária. A decisão de implementação do projeto foi feita de maneira vertical e antidemocrática.

    Além disso, mesmo depois da aprovação vertical, não se especificava exatamente, à comunidade universitária, do que se tratava o projeto. O pouco que encontrávamos sobre o assunto, na internet, dizia que a UNIVESP se tratava de expansão do ensino com inclusão social.

    E isso, creio, não é verdade. Ora, por que raios se resolve fazer a “inclusão social” somente à distância, enquanto a USP “presencial” permanece assustadoramente elitizada? Por que os “incluídos socialmente” não terão direito, como eu tenho, ao bandejão (comida subsidiada pelo Estado), à moradia estudantil, aos espaços de convivência e diálogo entre os estudantes? Por que, se a reitoria quer “inclusão social”, não melhora as condições da própria USP, do CRUSP (moradia estudantil, para estudantes de baixa renda), dos cursos presenciais?

    Realmente, para as pessoas com dificuldade de deslocamento, ou que moram muito longe, “isoladas”, um curso à distância (desde que bom, evidentemente) é positivo. Mas será que todos os “incluídos socialmente” pela UNIVESP são pessoas que moram longe? São pessoas que recusariam um curso presencial, se esse lhes fosse permitido? Acredito que não. Acredito, sim – e isso talvez seja até outro debate -, que esteja, por trás do projeto, uma formação, em larga escala, de mão-de-obra minimamente qualificada. E consequentemente barata.

    (Há ainda o componente do projeto ser implementado em período quase pré-eleitoral, e tratar da educação, o calcanhar de aquiles do governo do estado.)

    Em tempo, que eu diga que a UNIVESP doeria ao ouvido de nosso Paulo Freire. O EaD é outro papo.

    Beijo do Pedrinho.

  • Oi Pedro!
    Seus comentários são sempre bem-vindos, independente do tempo! O professor Jarbas diz que “blog é conversação” e já que estamos falando de EaD, eu complementaria: “blog é conversação assíncrona”!
    Bom, não me sinto minimamente capacitada para conversar com vc sobre o processo que aconteceu dentro da USP em relação à UNIVESP… Só posso lhe dizer que penso ser uma idéia que não deveria ser descartada por ninguém. O que é preciso é que ela seja muito bem planejada e colocada em prática por quem realmente entende do assunto para se evitar a tal “formação de mão-de-obra minimamente qualificada” como vc escreveu.
    Fiquei super curiosa com um detalhe: no curso que vc está fazendo, como é o uso das nem tão novas tecnologias da informação e comunicação? O uso da web se restringe, como no curso da minha filha na Unicamp, aos assuntos de “secretaria” (notas, datas de provas, avisos gerais) e local onde os professores disponibilizam as apresentações de powerpoint usados nas aulas? vcs estão sendo realmente preparados para o que vão encontrar fora da universidade?
    gde beijo

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