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“Ensinar inexiste sem aprender e vice-versa e foi aprendendo socialmente que, historicamente, mulheres e homens descobriram que era possível ensinar.”
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Educar para uma vida sustentável.

Ilustração de Wang SchuciMoacir Gadotti, no artigo "Educar para uma vida sustentável", publicado na Revista Pátio de Maio/ Junho 2008, aborda pontos interessantes sobre sustentablidade e educação. O autor afirma que a escola de hoje faz parte do problema e não é somente parte da solução. Ela é parte do problema por estar baseada em princípios predatórios e acaba reproduzindo valores insustentáveis, daí ser necessário se reeducar os sistemas educacionais e introduzir uma cultura de sustentabilidade e da paz, torná-las mais cooperativas e menos competitivas. Trancrevo aqui o que o autor considera sustentabilidade:

"Os termos "sustentável" e "desenvolvimento" continuam vagos e controvertidos. Há uma tendência de aplicação de aplicação do conceito de sustentabilidade a tudo o que é considerado bom, como um conceito guarda-chuva. O mercado considera "desenvolvimento sustentável" como sinônimo de "responsabilidade social". Por isso, precisamos qualificar cada um deles. Creio que devemos dar a esses dois conceitos um novo significado. De fato, sustentável é um termo que, associado ao desenvolvimento, sofreu um grande desgaste. Enquanto para alguns é apenas um rótulo, para outros tornou-se a própria expressão de um absurdo lógico: desenvolvimento e sustentabilidade seriam logicamente incompatíveis. Para mim, "sustentável" é mais do que um qualificativo do desenvolvimento econômico. Vai além da preservação dos recursos naturais e da viabilidade de um desenvolvimento sem agressão ao meio ambiente. Implica em um equilíbrio do ser humano consigo mesmo, com o planeta e, mais ainda, com o próprio universo. A sutentabilidade que defendo refere-se ao próprio sentido do que somos, de onde viemos e para onde vamos como seres humanos.

E sobre vida sutentável:

(…) Mais que educar para o desenvolvimento sutentável, devemos educar para a sustentabilidade, ou simplesmente educar para a vida sustentável. Chamo de vida sustentável o estilo de vida que harmoniza a ecologia humana e ambiental mediante tecnologias apropriadas, economias de cooperação e empenho individual. É um estilo de vida intencional, que se caracteriza pela responsabilidade pessoal, pelo serviço aos demais e por uma vida espiritual significativa. Um estilo de vida sustentável relaciona-se com a ética na gestão do meio ambiente e na economia, com vistas a satisfazer as necessidades de hoje em equilíbrio com as necessidades das futuras gerações. Enquanto o desenvolvimento sustentável diz respeito ao modo como a sociedade produz e reproduz a existência humana, o modo de vida sustentável refere-se sobretudo à opção de vida dos sujeitos. Então, não se pode voltar a atenção apenas para educar para o desenvolvimento, mas para a vida dos indivíduos. Mudar o sistema implica mudar as pessoas que podem mudar o desenvolvimento. Uma coisa depende diretamente da outra."

Enquanto lia o artigo me lembrava da Carta da Terra, que continua sendo um dos mais belos documentos que li, e cujos princípios podem orientar essa educação para a vida sustentável. Me lembrei também de dois projetos dos quais participei: Terra Cidadã: o planeta que queremos e Kidlink resgatando o planeta. No Terra Cidadã penso que conseguimos integrar os conceitos de desenvolvimento sustentável no currículo, em sentido amplo, como Moacir Gadotti indica no artigo, "tanto na história quanto nas nas ciências sociais, nas ciências humanas e no cotidiano da escola." Mesmo que só por um ano, o trabalho nos mostrou que é possível utilizar o "potencial organizativo e transformador das escolas". Já escrevi sobre esse projeto aqui, nos posts "Protagonismo juvenil e meio ambiente", "Um passo de um aprendiz" (com um lindo relato de um ex-aluno, o Adriano Yamamoto, sobre Reciclando um dos frutos do Terra Cidadã). A ilustração do post é de Wang Schuchi. Ele tinha 7 anos quando a elaborou para o livro "Missão Terra: resgate do planeta. Agenda 21 feita por crianças e jovens", de 1994. Esse livro me deu a idéia de propor, para a Adriana Hollenbeck, o "Kidlink o resgatando o planeta", onde as crianças ilustrariam os princípios da Carta da Terra.

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2 comments to Educar para uma vida sustentável.

  • Opa Mirian!

    Estes dias estava conversando na sala dos professores sobre isto… nós discursamos sobre sustentabilidade e práticas ecolocgicamente corretas MAS, continauamos a usar os copinhos de plástico nas salas do professores (e nas nossas festinhas!)… ninguém quer usar fraldas de pano (no lugar das descartáveis), vamos a padaria de carro, etc…

    Uma educação que mude nossas pequenas práticas é sempre uma tarefa dificil… mas temos que continuar tentando!

    []’s

  • Oi Sergio!
    Pois é, ter o discurso correto é até que fácil, já colocar o discurso em práica é o mais complicado! Outro dia fiz um jantar aqui em casa para algumas amigas minhas e a discussão foi em torno dos guardanapos!! Uma delas, achou que era frescura minha usar guardanapos de pano e nem sei se adiantou o meu discurso sobre a questão da produção de papel e o que se gasta de água no processo…
    Abço

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