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“A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria.”
 Paulo Freire

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A fotografia como mediadora subversiva na produção de conhecimento

Me lembrei, ao publicar o post anterior, da tese de Hylio Lagana Fernandes: "A fotografia como mediadora subversiva na produção do conhecimento".

Ficam aqui alguns pontos que considerei relevantes e que estavam guardados em um arquivo no meu computador:

BioScapes 2009A fotografia portanto, embora sincera e fiel, embora feita para representar o real à nossa visão, só pode ser plenamente compreendida se tivermos as referências mínimas para olhar. Aprendemos a ver imagens, assim como aprendemos a ver o mundo. Não é possível na escola delegar para as imagens o papel de mágicas desveladoras do mundo, de porta-vozes da realidade: não será apenas vendo fotos que alguém poderá entender como é um pólipo ou uma célula.

“É um engano pensar-se que o estudo da imagem enquanto processo de conhecimento poderá abdicar do signo escrito” (Kossoy, 1989). A fotografia, no ensino, pode ser uma mediadora para a produção do conhecimento, mas nem sempre por si só: a intervenção do educador, interpondo um discurso (ou sugerindo um texto), é crucial nesse processo.

Somos educados (também informalmente) ao longo da vida a ver, a produzir sentidos ao visto, e na sociedade atual, com a forte presença da comunicação de massa, e sobretudo com a penetração da mídia televisiva, com forte apelo visual, são determinados padrões – se não gerais, bastante difundidos – de ver o mundo. Covardemente inserida nessa concorrência, a escola, operando essencialmente dentro dos paradigmas científicos, é um espaço institucional que privilegia também a criação de padrões de visão de mundo, com a pretensão de criar cidadãos aptos a operar criticamente na sociedade onde estão inseridos.

É a escola, portanto, um espaço onde acontece o embate entre as diferentes percepções de mundo: a representação proposta pela ciência e aquela que se encontra no senso comum, cujos valores são produtos culturais, isto é, “códigos apreendidos social e psicologicamente, por onde circulam e fazem-se nomear as trocas dos bens simbólicos disponíveis na sociedade”, fortemente desenvolvida, firmada e difundida pela a comunicação de massas. Ao fazer a leitura da imagem se transcende o nível de decodificação primária de cores e formas que garantem o entendimento do studium: seu significado está traspassado por todo conjunto de símbolos culturais.

É importante entender a escola como um lugar de cultura híbrida, na qual o conhecimento científico é, via transposição didática, apropriado e reinterpretado, passando por vários filtros culturais e ideológicos para se transformar no conhecimento escolar - e que este só vai ganhar seu sentido final, aquele para o qual era destinado, nas elaborações que fazem os alunos. Cada uma dessas etapas, repletas de filtros ideológicos e políticos, agrega novos sentidos ao selecionar, acolher ou repudiar idéias, e não são menos importantes as escolhas feitas pelos alunos e professores que aquelas feitas por quem elabora parâmetros curriculares – apenas tem um alcance mais restrito. É preciso pensar em um currículo como espaço de construção e reconstrução de saberes, não simples transmissão, “em que as experiências possam ser experimentadas e que tenha nas possibilidades a sua política” (Amorim, 2004), de tal maneira que possa abarcar o múltiplo sem condenar o singular a uma massificação homogênea.

O discurso oficial pode ser convincente, e ter um peso mais elevado nessa negociação, pela confiança depositada no professor-detentor-de-saber, mas é a imagem fotográfica que vai se apresentar como a verdade, real em sua apresentação, dado seu caráter indicial – se algo foi fotografado, esse algo existe. Mas é somente no conjunto de representações dos alunos, em suas concepções de mundo, que esses elementos – o discurso e a imagem – podem interagir de maneira significativa. A articulação entre as diferentes concepções acontece no diálogo professor-alunos, mediado pelas imagens: um saber que se produz integrado, com chance de fazer sentido.

Não se trata, então, apenas de agregar uma “novidade” visual à aula e abrir os espaços para discussão, mas também de incorporar uma dimensão artística ao árido campo que a educação moderna, asséptica e neutra, propõe.

Bibliografia citada:

AMORIM, A.C.R- Quando as práticas de ensino são desfigurações da biologia. – in ROMANOWSKI, J.P.; MARTINS, P.L.O.; JUNQUEIRA, S.R.A. (orgs.) - Conhecimento Local e Conhecimento Universal: a aula e os campos de conhecimento - v. 3. Curitiba, Champagnat: 2004..

KOSSOY, B. – Fotografia e História – São Paulo, Ática: 1989.


 


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BioScapes 2009

 Já foram divulgados os resultados do concurso Olympus BioScapes  de 2009.  Como sempre as imagens são fantásticas!

Uma boa descoberta foram as fotografias do brasileiro Álvaro Migotto, do Centro de Biologia Marinha (Cebimar) da USP. Uma delas ficou em 6º lugar e outras duas receberam a menção honrosa:

E minhas outras fotos preferidas:

 


Post relacionado:

BioScapes 2008


 


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Para começar o dia…

Fiquei fascinada e emocionada.

Queria ter estado no Mercado Central de Valencia naquele momento:

 

Via  Darle a la lengua


 

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