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Interessante o material disponibilizado pela revista Nova Escola:
Da construção às atitudes simples e cotidianas, o infográfico mostra tudo que a escola deve ter e propor para que alunos, professores e funcionários vivam a sustentabilidade na prática.
Clique na figura para acessar e depois clique nos pontos vermelhos para ver fotos, indicações de leitura e outras animações:

Encontrei essas fotos, e muitas outras, enquanto fazia uma faxina em armários e estantes da minha casa.
Elas mostram apenas uma pequena, mas muito pequena mesmo, parte de uma das minhas salas de aula preferidas na conversa sobre Arquitetura e Educação. Mas penso que dá ideia de como ela era, mais ou menos em 1995 se não me falha a memória. Os papéis com os meus registros sobre a atividade já devem (espero) ter sido reciclados. Com certeza sei que meus alunos estavam registrando as observações que faziam e que, mais tarde, seriam socializadas, discutidas e entendidas.


Espero que não me obriguem a retirá-la. Afinal, essas meninas e meninos já são jovens adultos!
Continuo buscando subsídios para acabar de escrever um post para a blogagem coletiva sobre Arquitetura e Educação. Hoje me lembrei de ter lido no livro "A Roda e o Registro", de Cecilia Warschauer, algo sobre espaços e tempos na sala de aula. Era uma referência ao "Dois olhares ao Espaço-Ação na Pré-Escola" escrito por Madalena Freire e um dos capítulos do livro "Sala de Aula: que espaço é esse?", organizado por Régis de Morais.
Encontrei parte do capítulo no Google Pesquisa Livros. Madalena Freire escreve sobre sua experiência como professora de crianças de 4 a 5 anos, mas penso que grande parte de seu escrito vale para todas as salas de aulas, principalmente o que copiei aqui no blog:
"Minha vital e apaixonada prática de relacionamentos com esse Ser-Humano-Criança vai caracterizando a sala de aula. Sim: a expressão da vida humana nessa fase requer características específicas de lugar. O espaço se faz humanamente apropriado.
Compreendo a sala de aula como um espaço. Neste espaço e em relação com o Ser-Humano-Criança acontecem algumas atividades de trabalho pedagógico; são rotinas, como também, frutos de procuras e de experiências. São, também, descobertas por através dessas atividades. Educador e educando vão conferindo seus alcances, seus achados. A partir do relacionamento desses dois é que o espaço vai sendo colorido e povoado. Comentar sobre as expressões humanas do espaço é uma forma de contar um pouco da experiência que comigo vive e atua, apaixonadamente.
O espaço é retrato da relação pedagógica. Nele é que o nosso conviver vai sendo registrado, marcando nossas descobertas, nosso crescimento, nossas dúvidas. O espaço é retrato da relação pedagógica porque registra, concretamente, através de sua arrumação (dos móveis…) e organização (dos materiais…) a nossa maneira de viver esta relação.
Dentro de uma concepção educacional que vive a relação pedagógica como mera transmissão de conhecimento, onde o educando é um mero receptor passivo.. então o espaço é ocupado por mesas que ali estão enfileiradas, os alunos não necessitando se ver uns aos outros (basta olhar para a nuca do companheiro da frente…) e principalmente deve-se olhar pra o professor que, lá na frente, "dá a sua aula".
Dentro de uma outra concepção de educação, o professor instrumentaliza a busca de conhecimento própria a seus alunos; essa relação professor-aluno instrumentaliza algumas situações (ou atividades) significativas, carregadas de interesse e curiosidade em conhecer-aprender. Esse educador é uma figura relevante pois, no processo instrumentalizador de aprender-conhecer, ele interage todo o tempo nessa construção do processo de conhecimento. Ensinando ao mesmo tempo que aprende e aprendendo ao mesmo tempo que ensina. Tais atividades, tais conquistas vão tomando formas e cores que deverão povoar o espaço vivido pelo educador e suas crianças. E, dentro dessa concepção, tudo é construção, tudo é processo e, também, tudo é produto, tudo é conteúdo.
Os atos educativos requerem também, dessa relação instrumentalizadora, algumas diretrizes que geram produtos e conteúdos pedagógicos. Me referia, no início, às rotinas de trabalho: elas incorporam e são incorporadas pelo discurso do espaço humanizado. Espaço humanizado entenda-se: retratos e registros, conteúdos de muitas descobertas. E esse espaço é, então, construído, discutido e apropriado por educadores e educandos.
A partir daí é que se pode dizer do espaço como retrato. Ele conta inúmeras experiências vividas dentro da sala de aula. Aquilo que é vivência minha, junto com crianças, não é possível expressar se as paredes da sala estão nuas ou decoradas (alienadamente) com as figuras da Mônica ou Pato Donald desenhadas apenas por mim. A linguagem do lugar deve comentar as histórias e as relações acontecidas ali. É nesse sentido que o espaço é retrato (e registro) da minha prática, assim como minha casa retrata como eu vivo, assim como meu corpo retrata aquilo que eu sou, o que estou vivendo...
Tudo o que é vivido dentro desse espaço pedagógico explode como registro, se expressa como mudança física que, refletidamente, tem significações para aqueles seres humanos; imagens, objetos, cores e sons fazem parte desse conteúdo que vai sendo registro e que vai catalisando diferentes maneiras de apreender a experiência mesma. Tudo isso é componente fundamental para a experiência infantil, individual e coletiva.
É nesse sentido que o espaço concretiza a história do grupo na medida em que agiliza muitas formas de CONHECIMENTO refletido. Algo anda mal numa relação pedagógica onde o espaço mostra a mesma arrumação e os mesmos registros em suas paredes… Esse fato retrata, na simpleza visual, um certo estancamento do processo aprender-conhecer-crescer. Retrata um certo estancamento da busca constante pelo novo problematizado (conflitando) com o velho. Denuncia a morte da curiosidade, contra a asfixia da explosão de criar e vai diminuindo, pouco a pouco, a paixão de viver-conhecer muito própria do Ser Humano.
Possuir ao espaço, povoá-lo com aquilo que se tem à mão, é uma das maneiras de explicitar o poder criador da relação pedagógica; é uma das maneiras de a criança, em sala de aula, experimentar os alcances e os limites de seu relacionamento com o professor.
A proposta é revitalizar, sempre, os processos humanos em fluxo de mais e melhor CONHECER as interações pessoa-pessoa, pessoa-objetos. A proposta é denunciar o estancamento desse fluxo vital que a escola expulsou e que devemos resgatar.
Me lembrei da sala onde dava aulas para turmas de 3ª série e do nosso mural. Vazio no início do ano e invadindo as paredes da sala no final do semestre, mesmo que os trabalhos fossem trocados periodicamente…
Talvez não tenha sido só a leitura desse texto que tenha me trazido a lembrança: um dos meus alunos dessa época, Gustavo Trani, enviou um email contando que sua filha havia nascido e anexou muitas fotos da menininha. Bom saber que, 22 anos depois, ele ainda se lembre da "tia Miriam" e que divida a sua alegria comigo! 
Nesses últimos dias tenho procurado artigos e teses que tratam da questão arquitetura e educação para participar da blogagem coletiva: Arquitetura e Educação proposta pelos meus amigos José Kuller e Jarbas Novelino Barato.
Da dissertação de mestrado "A arquitetura escolar e a prática pedagógica" de Sheila Pérsia do Prado Cardoso Melatti:
Lembrando da arquitetura dos palácios, bela para os olhos e difícil para a execução, e agora observando os projetos de penitenciárias com os mesmos muros de pedra, altos e sem acesso, chega-se ao projeto de algumas escolas.
De início, já era cercada por muros, para que os alunos não fugissem. Depois, pensada como uma edificação onde o aluno ficasse sempre em observação. Na maioria das vezes, era projetado um pátio central para ter o controle de todas as salas. Ao redor, o “muro espesso” e a “porta sólida” que “impedem de entrar ou de sair”, conforme observa Foucault. Tudo isso ainda era visto na construção das escolas até os anos 80 do século passado. Nos pátios ficavam os “bedéis”, os vigias dos alunos, rondando todo o movimento. As bandeiras, para serem hasteadas nas manhãs cívicas ou para reunir os alunos nos dias festivos, também ficavam no pátio.
A sala de diretoria, toda envidraçada para dar uma visão do pátio, representa a “guarita” da vigilância total. Entretanto, a grande vantagem desses pátios é o convívio entre os alunos e a possibilidade de serem usados para aulas diferenciadas (ao ar livre).
Algumas escolas vêm mudando essa teoria de muros altos, para que os próprios alunos não se sintam prisioneiros do aprender. Nesse ponto, indiretamente, eles podem se sentir ameaçados. Muitos chegam a se revoltar por estarem presos e acabam enfrentando as barreiras, derrubando muros, se revoltando até chegam a ser expulsos por isso. Mas será que o principal culpado é o aluno? Ou são os arquitetos e administradores que os induzem a tais atitudes? Afinal, o impacto negativo dos muros pode ser suavizado com a colocação de painéis, fazendo com que o aluno não perceba tão diretamente esse elemento de segurança.
Outro problema é a questão da arquitetura circular, que é a forma mais utilizada para se obter a visão completa de todos os ambientes. As salas ficam ao redor de um grande pátio de vigilância, frio, e os alunos, ao saírem das salas, já se deparam com o vigia e a diretoria sempre em alerta. Seria algo semelhante à visão do panóptico, com vigilância constante. Entretanto, nesse tipo de arquitetura se pode criar diversas formas de separação de ambientes e transformar o pátio central de vigilância em espaço de convivência e diversão.
No blog Education Innovation, o post "What Do Schools And Prisons Have In Common?", faz referência ao livro Smart Kids, Dumb Schools: 38 Ways to Save America’s Future,. de Brian Crosby . O blogueiro publica a tabela abaixo e ressalta que:
"tomados em conjunto, ele faz uma comparação interessante e deverá criar um diálogo interessante sobre a questão. O ponto é que as escolas não são as prisões, mas comparações forçadas como esta são uma excelente forma de desenvolver novas e criativas idéias".

Sei que o autores do livro e do blog se referem à realidade dos Estados Unidos… mas será que a nossa situação não é parecida? ou pior?
Esse não é o meu post oficial para a blogagem. Talvez seja só uma uma forma de conversar com alguém sobre o li nesses últimos dias.

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Me disseram que…