Um registo de conversa virtual
fevereiro 24, 2013 em Educação
Desde ontem duas palavras rondam a minha cabeça: generosidade e parcerias.
Generosidade das pessoas que me convidam para dar pitacos nas conversas que acontecem em seus blogs. Parceria por conta de tudo que aprendendo com esse grupo de educadores.
As duas palavras ficaram na minha cabeça por conta de uma conversa que começou no Facebook e se estendeu a outros blogs. Explico.
O professor Jarbas Novelino publicou, em seu Boteco Escola, o post TIC e Educação: onde as coisas mudam?. Dele destaco o ponto que me chamou a atenção e me fez pensar:
O que rola é que os educadores, erradamente, querem domesticar a internet. Exemplifico no varejo. A maior parte dos educadores quis domesticar os blogs. Ainda na semana passada, repórter de uma revista educacional me fez pergunta sobre uso “didático” dos blogs. Respondi-lhe que o ponto de partida para examinar os blogs em educação não é a didática, é a comunicação. Blogs didáticos não são blogs de verdade, e os alunos, já educados na internet, sabem disso. Quando educadores ignoram as virtudes comunicativas dos blogs “in the wild” reduzem uma ótima ferramenta a um caderninho eletrônico sem graça, sem vida, sem alma.
Tatiane Martins escreveu sobre a provocação do professor no post "Será que o nosso erro é tentar didatizar a internet?",e colocou as suas inquietações:
Por que há um estranhamento entre o jovem enquanto usuário das mídias digitais em sua vida pessoal e como discente?
Quais são as dificuldades apontadas pelos estudantes na mudança de paradigmas da escola? Quais são as suas resistências?
Que representações os jovens têm do uso das mídias digitais na escola?"
E a conversa continuou no Ufa! Blguei. Penso que a Suely Aymone, no post Escola = domesticação?, nos lembrou o porque de muitas vezes tentarmos domesticar os recursos, ou o fato de colocarmos um filme, um livro perfeitamente encaixados com um conteúdo:
Uma dificuldade fazer os pais entenderem que, embora o caderno do filho no terceiro ano, por exemplo, esteja sem muitas anotações, houve aula naquele dia, as crianças aprenderam mesmo sem ter copiado.
Resumo: acho que os alunos (e os professores e os pais) resistem às mudanças, por causa desses modelos, que, além de arraigados, são “vendidos” como de sucesso.
Recomendo a leitura dos comentários escritos nos posts que linkei. E copio e colo aqui trechos de dois comentários no Mulher Desdobrável:
Um deles é o da da Marli Fiorentin:
(…) os jovens se acostumaram a ver a escola como conteudista, classificatória, excludente e portanto, chata. Penso que mesmo algo atrativo como as mídias quando vem associado à escola, já dá essa ideia de limitação, direcionamento, falta de liberdade para criar. E temos que reconhecer que muitas vezes as tecnologias tem servido apenas para dar aparência de modernidade, porque a escola ainda é bastante transmissora e pouco se trabalha de forma a instigar o aluno, fazendo-o curioso e ativo.Por outro lado, sair da zona do conforto exige certo esforço do aluno e também por isso há resistência para o pensar, assumir a responsabilidade pela construção do próprio conhecimento.
O outro trecho é do Sergio Lima:
(…) necessário dizer que muitas vezes o professor não tem a opção de fazer diferente. Ele está dentro de uma superestrutura… As pessoas falam o professor isso o professor aquilo como se ele pudesse fazer o quer na sala de aula.
Pois é. Penso que para termos as TICs na educação usadas em sua plenitude, precisamos de algumas coisas que ainda são distantes da realidade de nosso país; infraestrutura, formação do professor e cultura.
E, de verdade, ainda bem que tem professor usando o blog como um caderninho eletrônico sem graça. Quem sabe se, aos poucos, vão experimentando, tentando novas abordagens e chegam ao uso dos blogs com todas as suas possibilidades.
Acredito mesmo que temos mais é que dar a maior força e apoio aos professores que se arriscam a começar a usar as TICs, mesmo que ainda não tenham chegado no que se considera ideal. Porque pelo menos estão buscando novas formas de ensinar!
