Aprender como percorrer um labirinto

novembro 3, 2007 em Educação, Educadores, Lino Macedo

Minotauro de Rodrigo Rosa

Lino Macedo propõe, em seu livro "Ensaios pedagógicos: como construir uma escola para todos", que pensemos em um labirinto como metáfora para as diferentes etapas da aprendizagem. Pense em uma pessoa que deseja, ou precisa, aprender como se estivesse na entrada de um labirinto. Esse labirinto pode ter várias entradas porque o sujeito pode aprender uma mesma coisa de diferentes maneiras, por diferentes razões, diferentes sentidos e diferentes culturas. Como percorrer esse labirinto, que conselhos dar a esse sujeito viajante? Leia os conselhos dados por Jaques Atalli:

"Nada na entrada, abertura sombria, o profano, o ignorante apenas vê um túnel cheio de armadilhas, sem escapatória. Se dá meia volta, fecha a porta da vida. Se entra, se vence a vertigem, as ilusões, o medo, se não cria impasses para si mesmo, se aceita utilizar qualidades muito especiais, desvalorizadas hoje em dia, descobrirá que a ilusão inicia, que o medo fortifica, que o erro engrandece, que a vertigem transfigura. Iniciado, ele poderá mesmo ali voltar, recomeçar o seu percurso para ir mais longe ainda, e mesmo ensinar os outros a atravessarem; ele terá se tornado um mestre do labirinto. Para conseguir isso, ele terá de esquecer as quatro qualidades tão valorizadas na sociedade industrial: velocidade, razão, lógica, transparência. E reencontrar as dos exploradores de labirintos: perseverança, lentidão, malí­cia, curiosidade, astúcia, flexibilidade, improvisação, domí­nio de si; qualidades que os antigos inculcavam em suas crianças por ritos e danças para lhes lembrar que, se eles tinham sobrevivido até então, é porque não tinham esquecidos suas origens e as virtudes de um viajante."

Será que sabemos percorrer labirintos?

Em que medida as tecnologias e seus recursos podem contribuir para que nos tornemos "mestres do labirinto?

A ilustração do post: Minotauro, de Rodrigo Rosa.

Competências, habilidades e tecnologia

fevereiro 27, 2007 em Educação, Educadores, Lino Macedo, Philippe Perrenoud, Teoria

Para Philippe Perrenoud, no livro "Dez Novas Competências para Ensinar", a noção de competência designa "capacidade de mobilizar diversos recursos cognitivos para enfrentar determinados tipos de situações". Há quatro aspectos envolvidos:

  1. Não são elas mesmas saberes, savoir-faire ou atitudes, mas mobilizam, integram e orquestram tais recursos.
  2. Essa mobilização só é pertinente em situação, sendo cada situação singular, mesmo que se possa tratá-la em analogia com outras jjá encontradas.
  3. O exercí­cio da competência passa por operações mentais complexas, subentendidas por esquemas de pensamento que permitem determinar (mais ou menos consciente e rapidamente) e realizar (de modo mais ou menos eficaz) uma ação relativamente adaptada à situação.
  4. As competências profissionais constroem-se em formação, mas também ao sabor da navegação diária de um professor, de uma situação de trabalho à outra.

Nilson José Machado, autor de um dos capí­tulos do livro "As Competências para Ensinar no Século XXI", afirma que as formas de realização das competências são as chamadas habilidades.

The Big 6, indicado por Sónia Cruz em seu Caderno Diário, foi desenvolvido pelos educadores Mike Eisenberg and Bob Berkowitz. É um modelo de trabalho com situações-problema como uma forma de desenvolver habilidades em informação e tecnologia. São seis estágios e duas fases em cada um deles:

1. Definir a tarefa

1.1 Definir o problema

1.2 Identificar as informações necessárias

2. Usar estratégias de busca da informação

2.1 Considerar todas as fontes possí­veis

2.2 Selecionar as melhores fontes

3. Localizar e acessar

3.1 Localizar as fontes

3.2 Recuperar as informações nas fontes localizadas

4. Usar a informação

4.1 Consultar (ler, ouvir, olhar, tocar)

4.2 Extrair as informações relevantes

5. Sintetizar

5.1 Organizar as informações extraí­das das diversas fontes

5.2 Apresentar o resultado

6. Avaliar

6.1 Julgar o resultado (eficácia)

6.2 Julgar o processo (eficiência)

Lino Macedo, em capí­tulo do livro "As Competências para Ensinar no Século XXI", defende que as situações-problema são uma forma e um recurso de desenvolvimento de competências e propõe "que consideremos competência seguindo três caracterí­sticas: tomada de decisão, mobilização de recursos e saber agir, enquanto construção, coordenação e articulação de esquemas de ação ou de pensamento".

O Big6 TurboTools  é um software desenvolvido por Mike Eisenberg and Bob Berkowitz. O recurso é proposto para ajudar os alunos a serem mais produtivos e bem sucedidos no processo de resolução de situaçõs-problema e para auxiliar os professores na implementação do trabalho.

Veja o online tour.

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