TIC’s e Educação

novembro 5, 2008 em Educação, Educadores, Pedro Demo, Wiki

 

 

Pedro Demo disponibilzou, em seu blog, o texto "TIC’s e Educação".  O professor escreve sobre as contribuições que as TIC’s e recursos de autoria (como blogs e wikis) podem trazer para a educação. 

Para o autor:

Ambientes online oferecem grandes oportunidades de aprendizagem e formação, não só porque é possível comunicar-se em tempo real, mas principalmente porque se estabelecem novos horizontes, tanto mais envolventes, de relacionamento. Referência importante é a plataforma wiki: todos podem participar, abertamente, desde que se aceite a regra da reciprocidade – o que cada um faz pode ser refeito pelo outro e vice-versa. Daí surge um texto que pode, surpreendentemente, ser patrimônio comum. Para educadores este tipo de ambiente merece toda atenção por seu valor pedagógico.

Pedro Demo dá algumas idéias das possibilidades que as Tecnologias da Informação e Comunicação poderiam oferecer aos educadores:

  1. novos modos de alfabetizar, bem mais envolventes, situados, atualizados, capazes de abrir para as crianças as habilidades do século XXI;
  2. novas formas de autoria individual e coletiva, mais flexíveis, transparentes, participativas e, nem por isso, banais; ao contrário;
  3.  impulsos pertinentes em favor da autoridade do argumento, contra o argumento de autoridade, já que, na internet, não vinga qualquer autoridade; para merecer a atenção é fundamental apresentar algo com algum mérito;
  4. promoção de esferas públicas, ao estilo de Habermas, nas quais se pode desenvolver um tipo mais cosmopolita de cidadania, interativo e questionador, sem tutores e donos da verdade;
  5. novas oportunidades de pesquisa, em especial na internet, desde que se consiga transformar este mundo infinito de informação em material de pesquisa, não de cópia;
  6. maneiras diferenciadas de tratar o aluno, não como alguém que dispensa o professor, mas como alguém que pode construir a autonomia e autoria com apoio tecnológico e orientação maiêutica;
  7. modos mais situados de aprender, tipicamente reconstrutivos e autopoiéticos, além de muito envolventes;
  8. perfil diferenciado do professor, não mais como instrutor, mas como “coach” socrático."

 

Texto interessante principalmente para aqueles que querem usar as TIC’s de um forma "não empacotada e instrucionista":


Estudar não é ter aulas 2

novembro 10, 2006 em Educadores, Pedro Demo, Teoria

Ainda sobre "Estudar não é ter aulas": será que os coordenadores pedagógicos e educacionais, assim como os diretores de escolas, também não devem ter o mesmo perfil de estudiosos, pesquisadores? Isso não faz muita diferença na maneira como a aprendizagem ocorre (ou deveria ocorrer) na escola? É só parar e pensar um pouco: que professor já não ouviu de algum coordenador que ele precisa terminar o conteúdo, que tem que "acabar" o livro adotado pela escola? Ou reclamação do "barulho" na sala quando os alunos estavam trabalhando em grupo? Ou que está perdendo tempo em um projeto de trabalho? Será que as diversas coordenações não teriam um papel fundamental para se formar esse perfil de educador proposto por Pedro Demo? Não estou querendo arrumar justificavas para nós, professores. Só estou pensando que o leque de profissionais, indicados no texto de Pedro Demo, deveria ser ampliado para todos os que fazem parte do processo em uma escola. Deixei esse comentário no blog do professor… se ele me responder, coloco aqui!

 


A resposta que recebi sobre o meu comentário:

Devo concordar com você. Todos precisamos continuar estudando e sobretudo temos de saber estudar. Muito bom. Pedro Demo

 

Estudar não é ter aulas

novembro 9, 2006 em Educação, Educadores, Pedro Demo, Teoria

O "copiar e colar" sempre foi uma das grandes preocupações dos professores. Os computadores facilitaram essa tarefa para os alunos. Se antes gastávamos horas copiando, " à mão", páginas de livros e enciclopédias, agora está tudo muito mais fácil: Control-C Control-V em páginas da Internet e temos o trabalho prontinho para ser enviado por email, ou impresso, e entregue ao professor. Há muitos educadores que procuram fórmulas mágicas para se "coibir" o copia e cola. Tenho a convicção de que isso acontece porque o aluno entende que dar conta do que sabe é reproduzir aquilo que o professor, ou algum especialista, disse ou escreveu. Nunca acreditei muito nas tais fórmulas mágicas que às vezes aparecem por ai. Entendia que isso acontece porque muitas das atividades que propomos não favorecem a autoria, são um convite ao copiar/colar, não envolvem e nem motivam os alunos.

O artigo "Estudar não é ter aulas" de Pedro Demo, professor da UnB, me deu outras pistas: a escola não ensina a estudar. Estudar aqui entendido como um ato que envolve a "leitura sistemática, a pesquisa, desconstrução e reconstrução do conhecimento".

Será que nós, educadores, sabemos estudar? Será que estudamos? Como um educador que não lê e não pesquisa pode ensinar os alunos a estudar e a se tornarem autores de seus trabalhos?

Imagino que muitos professores poderiam dizer ao ler o artigo: "mais um colocando a culpa das mazelas da educação brasileira nos ombros do professor". Pedro Demo, em outro artigo, coloca assim o seu posicionamento:

"(…) tenho ultimamente questionado as aulas reprodutivas nas escolas (também na universidade), porque entendo que fazem parte do instrucionismo avassalador que prejudica muito o desempenho dos alunos.(…) Não estou aludindo que as aulas sejam o único problema, porque é tolo reduzir a complexidade da aprendizagem escolar a um único fator. Também não estou dizendo que o professor seja culpado, porque admito, sinceramente, que é tão ví­tima do sistema, quanto o aluno."

 


Atualização: o artigo não mais disponí­vel no site da revista Educatio, mas no site do professor Demo com o tí­tulo Estudar.

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