Viagem ao Centro da Terra, mais um infovídeo do Discovery Channel, me fez lembrar da época em que eu era professora de Ciências para as séries iniciais do Ensino Fundamental. Uma das perguntas que aparecia com frequência na "caixa da curiosidade*" se referia à possibilidade de podermos chegar ao centro da Terra. A conversa, se eu tivesse esse infovídeo na época, certamente seria muito mais interessante!
* Em tempo, a "caixa da curiosidade" ficava na Sala de Ciências. Cada classe tinha a sua e uma aula do mês era dedicada a elas. Uma conversa sempre bacana e que renderam bons projetos!
Hoje me lembrei de uma dica que o @luizbento (do Discutindo Ecologia) me passou no twitter: uma notícia do Boletim Faperj que divulgava o jogo Célula Adentro que estaria disponível dali a poucos dias na Fiocruz. Na "doideira" que virou a minha vida, acabei me esquecendo de verificar se o jogo havia sido lançado ou não! O Google me contou que o jogo já está disponível para download.
Proposta bacana à beça! Gostei pelo conteúdo do jogo, desenvolvido por um grupo de educadores e pesquisadores, das áreas de Bioquímica, Biologia Celular e Ensino. Eles pensaram o jogo como uma "estratégia de resgatar o prazer da descoberta e do aprendizado" e que propiciasse a "discussão sobre temas importantes, interessantes e atuais sobre a célula, sua fisiologia, função, evolução, interação com outras células e microrganismos.
O jogo de tabuleiro apresenta cinco casos que devem ser resolvidos com as pistas que devem ser coletadas, interpretadas e discutidas. Essas "pistas informam resultados de experiências, introduzem formas de apresentação de dados comuns na linguagem científica como gráficos, tabelas, micrografias".
Gostei muito da proposta de existir duas formas de jogar! Em uma delas, diferentes equipes competindo entre si. Na outra forma, cooperativa, as equipes jogando contra o tempo.
Encontrei, no Action Bioscience, uma entrevista com Carol Brewer. Nela, a professora da Universidade de Montana faz considerações interessantes sobre o ensino de Ciências e a Alfabetização Científica. Quero deixar registrado aqui no blog, com meus negritos, a resposta que ela dá sobre avaliação. Talvez eu esteja enganada, mas a resposta cabe também para outras disciplinas e não apenas para as Ciências Biológicas:
A avaliação é um processo interessante e me agrada pensar sobre ela de duas formas: uma é o tipo de avaliação com a qual tanto professores quanto alunos estão mais familiarizados, na qual se faz um exame ao final de uma unidade para ver quanto do material alguém se lembra.
Porém, como cientista, se alguém quer realmente imitar a ciência, creio que a avaliação é um mapa do processo. Onde começou? O que o levou a interessar-se pela pergunta? Que ferramentas usou para descobrir como fazer uma prova adequada para responder a pergunta? Na universidade pode ser o que chamamos de um experimento, porém quais foram essas ferramentas? Como se usou essas ferramentas? Que tipo de evidências foram reunidas? Como se deu sentido à evidência? Todas essas coisas que alguém pode examinar através do processo de investigação científica , e a chave aqui é que nem sempre se chega à resposta correta, ou na melhor resposta, na primeira vez em que a pergunta é feita. Por exemplo, estamos na conferência da AIBS (American Institute of Biological Sciences), com centenas de biólogos presentes, e creio que se perguntarmos a cada um deles, "O que foi necessário para você obter esse fato citado em um livro?", responderiam que levaram milhares de horas e milhares de becos sem saída, e muitas voltas para descobrir a melhor forma de fazer a pergunta e recolher as provas.
Grande parte do que se pode fazer na avaliação consiste em analisar aqueles hábitos mentais que as pessoas desenvolvem para formular perguntas e conseguir respondê-las por si mesmas. Gostaria de incentivar as pessoas a examinarem esses hábitos mentais, e ver como as pessoas formulam e respondem as perguntas. Isso toma um pouco mais de tempo, porém quando se avalia se está, fundamentalmente, conectando todo o ensino com a aprendizagem do estudante e, francamente, é isso o que é importante!
Creio que você tem que usar muitos tipos de avaliação. Eu dou aulas para classes com muitos estudantes na Universidade de Montana, onde você tem usar testes de múltipla escolha, porém acredito que também é importante conversar com meus alunos e fazer provas verbais para ver como respondem e como estão pensando. Creio que também é útil pedir para os alunos que criem pastas de trabalho com o que pensam e com o que estão fazendo. Uma parte importante do processo de avaliação também é pedir que os alunos escrevam e reflitam sobre o que pensam que estão aprendendo. Assim como não ensinamos de uma única forma, creio que tampouco deveríamos avaliar de uma única forma.
A tradução ficou, como de hábito, meio torta. Você pode ler a entrevista completa inglês e em espanhol no site.
Uma das sugestões é o Quest Atlantis (QA), um projeto pedagógico que utiliza um ambiente multi-usuário (MUVE) em 3D para crianças e jovens, com idades entre 9-16, realizarem tarefas de aprendizagem. QA combina estratégias utilizadas nos ambientes dos videogames comerciais com tarefas propostas pelos educadores. No QA existem mundos diferentes para as diferentes áreas do currículo ou disciplinas. O vídeo abaixo conta a história que serviu de base para a criação do ambiente de aprendizagem:
Sobre a minha exploração do ambiente:
Claro que, quando comecei a explorar o QA, escolhi ser um cientista. Usando o teletransporte, fui parar em um laboratório de um local chamado Cinder Creek para ajudar uma cientista chamada Abby. Naquele local, com diversos aquários, se aprende, por exemplo, sobre pH e como ele pode afetar a vida dos peixes.
Assim que completei a série de simulações, fui "mandada" para a Taiga, uma reserva ambiental que tem um rio atravessando a sua área e que sofre de um grave problema ambiental: o número de peixe está diminuindo ano a ano.
Começa então uma missão e nela se passa por todas as etapas do método científico e isso é explicitado para o aluno. Para tanto há que encontrar e conversar com diversos personagens (visitantes, pescadores, madeireiros, agricultores), encontrar locais no parque para recolher amostras de água. Interessante que alguns dos pontos da missão podem ser publicados, diretamente em um blog… pena que só para o Windows Live (veja o meu teste).
Há ainda outros locais, ou mundos, onde há atividades, mais curtas, de ciências. Elas lembram as Webquests e as Webgincanas: uma introdução, a tarefa e sugestões de links para a coleta de dados.
Estou anotando uma série de dúvidas que tive para enviar para uma das educadoras americanas que entrou em contato, no twitter, assim que perguntei se alguém daqui conhecia o QA. Quero saber, por exemplo, como é a dinâmica na sala de aula, se o professor pode inserir tarefas que que considere interessantes para uma só classe, como os professores recebem o material elaborado pelo aluno e, sobre a aprendizagem do aluno .
Assim que receber uma resposta, atualizo o post. Agora, vou voltar lá para a Taiga: vou ser enviada para o futuro porque, ao que tudo indica, as sugestões que dei não resolveram o problema dos peixes! O meu problema por agora, é encontrar uma caverna e inserir um código que recebi… já passei por ela, mas não me lembro mais da sua localização! Ok, confesso, estou fascinada pelo QA: tenho passado um bom tempo por lá.
Em tempo, se você quiser experimentar basta fazer o download do ambiente, pedir uma senha de visitante e começar a explorar. Você não terá o chat disponível (por razões óbvias de segurança para os alunos que participam do projeto)… mas podemos trocar as dicas aqui pelos comentários do blog.
“Só, na verdade, quem pensa certo, mesmo que, às vezes, pense errado, é quem pode ensinar a pensar certo. E uma das condições necessárias a pensar certo é não estarmos demasiado certos de nossas certezas.” Paulo Freire