Arquitetura Escolar: Caetano de Campos

outubro 24, 2010 em Educação

 

Por conta de um projeto, tenho ido com uma certa frequência à Secretaria de Educação  de São Paulo que fica na Casa Caetano de Campos, na Praça da República. Era ali que funcionava a primeira Escola Normal de São Paulo.

Ao entrar no prédio sempre me lembro da @araujodoralice e do @Novelino: a escadaria imponente, as salas espaçosas e bem arejadas, me remetem aos posts sobre arquitetura escolar que esses amigos virtuais escrevem no Na Mira do Leitor e no Boteco Escola respectivamente.

Na próxima vez, vou tratar de levar minha máquina fotográfica para poder enviar, para a Doralice, uma imagem daquela escada e do grande vitral do teto!

Uma escola sustentável

julho 12, 2010 em Educadores

Interessante o material disponibilizado pela revista Nova Escola:

Da construção às atitudes simples e cotidianas, o infográfico mostra tudo que a escola deve ter e propor para que alunos, professores e funcionários vivam a sustentabilidade na prática.

Clique na figura para acessar e depois clique nos pontos vermelhos para ver fotos, indicações de leitura e outras animações:


Em algum lugar de um passado muito distante

maio 20, 2009 em Geral

 

Encontrei essas fotos, e muitas outras, enquanto fazia uma faxina em armários e estantes da minha casa.

Elas mostram apenas uma pequena, mas muito pequena mesmo, parte de uma das minhas salas de aula preferidas na conversa sobre Arquitetura e Educação. Mas penso que dá ideia de como ela era, mais ou menos em 1995 se não me falha a memória. Os papéis com os meus registros sobre a atividade já devem (espero) ter sido reciclados. Com certeza sei que meus alunos estavam registrando as observações que faziam e que, mais tarde, seriam socializadas, discutidas e entendidas.

horta1

horta2

Espero que não me obriguem a retirá-la. Afinal, essas meninas e meninos já são jovens adultos!


 

O espaço da sala de aula

abril 20, 2009 em Educadores, Madalena Freire

Continuo buscando subsídios para acabar de escrever um post para a blogagem coletiva sobre Arquitetura e Educação. Hoje me lembrei de ter lido no livro "A Roda e o Registro", de Cecilia Warschauer, algo sobre espaços e tempos na sala de aula. Era uma referência ao  "Dois olhares ao Espaço-Ação na Pré-Escola" escrito por  Madalena Freire e um dos capítulos do livro "Sala de Aula: que espaço é esse?", organizado por Régis de Morais.

Encontrei parte do capítulo no Google Pesquisa Livros. Madalena Freire escreve sobre sua experiência como professora de crianças de 4 a 5 anos, mas penso que grande parte de seu escrito vale para todas as salas de aulas, principalmente o que copiei aqui no blog:

collage of four children standing against four colored squares"Minha vital e apaixonada prática de relacionamentos com esse Ser-Humano-Criança vai caracterizando a sala de aula. Sim: a expressão da vida humana nessa fase requer características específicas de lugar. O espaço se faz humanamente apropriado.

Compreendo a sala de aula como um espaço. Neste espaço e em relação com o Ser-Humano-Criança acontecem algumas atividades de trabalho pedagógico; são rotinas, como também, frutos de procuras e de experiências. São, também, descobertas por através dessas atividades. Educador e educando vão conferindo seus alcances, seus achados. A partir do relacionamento desses dois é que o espaço vai sendo colorido e povoado. Comentar sobre as expressões humanas do espaço é uma forma de contar um pouco da experiência que comigo vive e atua, apaixonadamente.

O espaço é retrato da relação pedagógica. Nele é que o nosso conviver vai sendo registrado, marcando nossas descobertas, nosso crescimento, nossas dúvidas. O espaço é retrato da relação pedagógica porque registra, concretamente, através de sua arrumação (dos móveis…) e organização (dos materiais…) a nossa maneira de viver esta relação.

Dentro de uma concepção educacional que vive a relação pedagógica como mera transmissão de conhecimento, onde o educando é um mero receptor passivo.. então o espaço é ocupado por mesas que ali estão enfileiradas, os alunos não necessitando se ver uns aos outros (basta olhar para a nuca do companheiro da frente…) e principalmente deve-se olhar pra o professor que, lá na frente, "dá a sua aula".

Dentro de uma outra concepção de educação, o professor instrumentaliza a busca de conhecimento própria a seus alunos; essa relação professor-aluno instrumentaliza algumas situações (ou atividades) significativas, carregadas de interesse e curiosidade em conhecer-aprender. Esse educador é uma figura relevante pois, no processo instrumentalizador de aprender-conhecer, ele interage todo o tempo nessa construção do processo de conhecimento. Ensinando ao mesmo tempo que aprende e aprendendo ao mesmo tempo que ensina. Tais atividades, tais conquistas vão tomando formas e cores que deverão povoar o espaço vivido pelo educador e suas crianças. E, dentro dessa concepção, tudo é construção, tudo é processo e, também, tudo é produto, tudo é conteúdo.

Os atos educativos requerem também, dessa relação instrumentalizadora, algumas diretrizes que geram produtos e conteúdos pedagógicos. Me referia, no início, às rotinas de trabalho: elas incorporam e são incorporadas pelo discurso do espaço humanizado. Espaço humanizado entenda-se: retratos e registros, conteúdos de muitas descobertas. E esse espaço é, então, construído, discutido e apropriado por educadores e educandos.

A partir daí é que se pode dizer do espaço como retrato. Ele conta inúmeras experiências vividas dentro da sala de aula. Aquilo que é vivência minha, junto com crianças, não é possível expressar se as paredes da sala estão nuas ou decoradas (alienadamente) com as figuras da Mônica ou Pato Donald desenhadas apenas por mim. A linguagem do lugar deve comentar as histórias e as relações acontecidas ali. É nesse sentido que o espaço é retrato (e registro) da minha prática, assim como minha casa retrata como eu vivo, assim como meu corpo retrata aquilo que eu sou, o que estou vivendo...

Tudo o que é vivido dentro desse espaço pedagógico explode como registro, se expressa como mudança física que, refletidamente, tem significações para aqueles seres humanos; imagens, objetos, cores e sons fazem parte desse conteúdo que vai sendo registro e que vai catalisando diferentes maneiras de apreender a experiência mesma. Tudo isso é componente fundamental para a experiência infantil, individual e coletiva.

É nesse sentido que o espaço concretiza a história do grupo na medida em que agiliza muitas formas de CONHECIMENTO refletido. Algo anda mal numa relação pedagógica onde o espaço mostra a mesma arrumação e os mesmos registros em suas paredes… Esse fato retrata, na simpleza visual, um certo estancamento do processo aprender-conhecer-crescer. Retrata um certo estancamento da busca constante pelo novo problematizado (conflitando) com o velho. Denuncia a morte da curiosidade, contra a asfixia da explosão de criar e vai diminuindo, pouco a pouco, a paixão de viver-conhecer muito própria do Ser Humano.

Possuir ao espaço, povoá-lo com aquilo que se tem à mão, é uma das maneiras de explicitar o poder criador da relação pedagógica; é uma das maneiras de a criança, em sala de aula, experimentar os alcances e os limites de seu relacionamento com o professor.

A proposta é revitalizar, sempre, os processos humanos em fluxo de mais e melhor CONHECER as interações pessoa-pessoa, pessoa-objetos. A proposta é denunciar o estancamento desse fluxo vital que a escola expulsou e que devemos resgatar.


Me lembrei da sala onde dava aulas para turmas de 3ª série e do nosso mural. Vazio no início do ano e invadindo as paredes da sala no final do semestre, mesmo que os trabalhos fossem trocados periodicamente…

Talvez não tenha sido só a leitura desse texto que tenha me trazido a lembrança: um dos meus alunos dessa época, Gustavo Trani, enviou um email contando que sua filha havia nascido e anexou muitas fotos da menininha. Bom saber que, 22 anos depois, ele ainda se lembre da "tia Miriam" e que divida a sua alegria comigo!


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