O governo lançou o "Plano de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia" (PAS). Tudo muito bonito em mais um discurso discurso ufanista, mas…
1. O problema é que esse mesmo governo assinou, em março passado, a Medida Provisória 422, também conhecida como "Plano de Aceleração da Grilagem" (PAG) que, para alegria dos posseiros, grileiros e fazendeiros da região, dispensa licitação para aquisição das terras públicas para áreas de até 1.500 hectares, quando o limite anterior era de 500 hectares. A sorte é que ela ainda não foi aprovada porque estão discutindo, não o conteúdo da dita cuja MP, e sim quem é o "pai da idéia"! Terá o governo plagiado um projeto de lei do deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA)? Deve ser um bom cacife político nesses tempos em que se aproximam as eleições municipais! Eu penso que todos os envolvidos deveriam é estar fugindo da paternidade desse absurdo, ou não?
2. O relatório "O leão acordou" publicado pelo Greenpeace mostra que do "Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal" pelo menos 70% das ações previstas não aconteceram. Eram 32 ações estratégicas e apenas 10 foram quase ou integralmente cumpridas. Dessas que foram cumpridas, o pior desempenho foi observado nas ações de fomento às atividades sustentáveis, que deveriam consolidar um modelo de desenvolvimento não predatório, adaptado à realidade da região. O que garante que as dos PAS não terão o mesmo destino?
3. Já foi aprovado no Senado e agora está tramitando na Câmara o Projeto de Lei 6424/05, o Floresta Zero, de autoria do senador Flexa Ribeiro. Pelo projeto se reduz de 80% para 50% a área de reserva legal florestal, ou a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas. E como se essa redução fosse pouca coisa, se ela não bastasse, está no projeto de lei:
"No caso de reposição florestal, deverão ser priorizados projetos que contemplem a utilização de espécies nativas ou outras espécies, ou o plantio de palmáceas, nativas ou exóticas, destinadas à exploração econômica. "
Como assim, reflorestamento com espécies não nativas? Como assim, palmáceas exóticas? Esse povo tem noção do que espécies exóticas podem ocasionar? Aqui vale citar o professor Jarbas Novelino Barato no blog Aprendente:
"Essa gente acha que pode colocar a Natureza de joelhos. E se pode a coloca. É muita arrogância ignorante. Por isso, sempre achei que todos os cidadãos, presidente da república incluso, deveriam saber mais biologia".
Realmente, não dá para ficar parada e nem calada. Outro dia o Frederico, lá na teia, escreveu um belo post sobre o Ecoogler e as razões pelas quais ele não ia usar o serviço. Na conversa que se seguiu, disse a ele que concordava que deveríamos sempre ter cuidado com as Ongs nebulosas, com o "discurso (pseudo) ambientalista", mas que me assustava mais as ações de brasileiros nativos: governador que declara que o desmatamento é normal, os esquemas de venda ilegal de madeira. Acrescento agora: tenho medo de senadores a serviço dos grandes fazendeiros e presidentes que usam a Amazônia como moeda de troca para sustentar a base política do governo.
Realmente não dá para ficar parada! E, se você chegou até aqui e concorda que é preciso se mexer, acesse o "Faça a sua parte" e participe dos debates propostos pelo Afonso. Eles começam a acontecer a partir do dia 22 de maio. Os temas não se resumem ao "Floresta zero" e Planos de Grilagem: entram na roda os transgênicos, o aquecimento global, biodiversidade…
A programação é a seguinte:
MAIO
22 e 23: Biodiversidade: sem flora e sem fauna?
24 e 25: Cerrados: bioma ou necroma?
28 e 29: Educação Ambiental: a quem educar?
30 e 31: Aquecimento Global: mito ou realidade?
JUNHO
01 e 02: De quem é a culpa: do Legislativo, do Executivo, ou nossa?
03 e 04: Meio Ambiente Humano: somos parte da natureza?
05 e 06: Blogagem coletiva sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente
07 e 08: Mar: Origem da vida?
09 a 12: Tecnologia e Meio Ambiente: há futuro na ciência?
13 e 14: Consumo sustentável: o que e como fazer?
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Por causa de uns bagrinhos…